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Resenha do livro 12 Regras Para A Vida, de Jordan B. Peterson

Jordan B. Peterson, canadense e psicólogo de profissão, é uma espécie de Olavo de Carvalho que deu certo. É o "paizão adotivo" de uma legião de pessoas que sentem-se perdidas no mundo atual, em particular homens jovens, duplamente espezinhados pela esquerda identitária e pela dificuldade em cumprir os papéis tradicionalmente masculinos.

Os detratores consideram-no um corifeu do movimento alt-right, e portanto uma pessoa perigosa, um inimigo público. Pessoalmente, vejo o JBP um pouquinho à direita do centro. Certamente ele é conservador, torce o nariz ao politicamente correto, e é um signatário da psicologia evolucionista — que causa urticária nos acadêmicos de ciências humanas, mais afeitos ao axioma da "tabula rasa".

Uma coisa é polemizar no YouTube para ganhar hits e assinantes no Patreon, outra coisa é colocar ideias preto no branco. Por isso, acabei comprando o livro "12 Regras Para a Vida" quando o vi na livraria. Na verdade, comprei dois exemplares, um para presentear, e o outro para mim mesmo, pois não pude resistir à curiosidade de ler o conteúdo.

No geral o livro é medianamente interessante. Fica maçante e repetitivo em alguns trechos, mas consegue se recuperar do coma — no que ajudou a divisão em 12 partes, pois obrigou o autor a dar um fechamento periódico ao texto. É muito bem referenciado, menciona diversas obras literárias, filósofos, etc. Há muitas menções à Bíblia mas também a textos de outras religiões antigas e modernas.

JBP é famoso (e infame) por comparar pessoas a lagostas, e essa curiosa tese de psicologia evolucionária é desenvolvida logo no início do livro. Para mim, pessoalmente, a parte mais instrutiva foi a que tratou da importância de ouvir os outros, simplesmente ouvir, sem pressa em dar réplica, solução ou conselho. "Conselho é o que você recebe quando a pessoa com quem está conversando deseja que você cale a boca e dê o fora." É uma excelente expansão do velho adágio "se conselho fosse bom, não se dava, se vendia".

Falando em conselhos, o livro tem uns ecos de Lair Ribeiro. Às vezes parece pretende orientar sobre absolutamente todos os aspectos da vida, até sobre o que comer no café da manhã. Desconfio automaticamente desse tipo de atitude de guru, mas infelizmente este é o grande motor de vendas dos livros de autoajuda. Se você também torce o nariz pra guruzisses, leia o livro tendo em mente aquela máxima "a graça da viagem é a jornada, não o destino".

Posso estar sendo injusto, mas essa é uma pega que eu tenho com os psicólogos em geral: acham que todo problema pode ser resolvido "por software", com conversa, orientação e mentalização. O próprio Jordan teve em 2019/2020 uma experiência terrível, entre o vício em drogas da família do Diazepam/Valium e o processo de reabilitação que quase o matou, que espero tenha lhe ensinado que o "hardware" também é poderoso e tem vontade própria.