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Eu e a dieta low-carb

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Antes de tudo, devo dizer que isto é um relato de experiência pessoal, não uma recomendação médica. Procure informar-se a partir de outras fontes se achar que vale a pena tentar seguir o mesmo caminho.

Em poucas palavras: tenho seguido uma dieta de baixo carboidrato (low-carb), com excelentes resultados. Perdi 19kg em 5 meses e estou perto de chegar a ter um IMC "normal".

Figura 1: O "antes" e o "depois" da dieta. A cara amarrada do "antes" e o sorriso do "depois", no estilo propaganda da Polishop, não foi intencional; apenas tropecei primeiro nestas fotos e não tenho tempo de procurar por outras mais "equilibradas" do ponto de vista do humor.

Meu pai sempre brigou com o peso, desde novo. Nos anos 1980, ele teve contato com dois livros: "A dieta revolucionária do Dr. Atkins", de autoria do famoso Dr. Atkins; e "Dieta para salvar a vida", do bem menos conhecido Dr. David Reuben.

Desde então ele tem conseguido manter um peso estilo "gordinho simpático" em vez de "gordo escroto", e está com saúde invejável aos 70.

Por conta da eterna briga dele com o peso, uma série de alimentos desconhecida da maioria sempre foi comida "normal" para mim: pão integral, iogurte natural feito em casa, adoçante no café, gelatina diet, e por aí vai. Açúcar se comprava à razão de um quilo por semestre; aqueles sacos de 5kg no supermercado sempre me intrigaram.

Dieta low-carb

A dieta de baixo carboidrato (low-carb para os íntimos) é, como o nome diz, uma dieta que restringe a ingestão de carboidratos: açúcares e amido.

É uma dieta mais velha do que se pensa: já vinha sendo utilizada no tratamento de algumas doenças como epilepsia e diabetes. Era assim que os diabéticos se viravam antes de inventarem a insulina injetável.

O Dr. Atkins descobriu meio por acaso que ela servia para controle de peso, e passou a advogá-la desde então.

Diferente das dietas "da gelatina", "do abacaxi", "da sopa", etc. a dieta de baixo carboidrato é algo plausível. Pode-se adotá-la por longos períodos, ou mesmo por toda a vida. Algumas pessoas são mesmo obrigadas a isso, por conta de alguma doença. Diversos povos, em diferentes épocas, tinham ou têm alimentação com poucos carboidratos. Um exemplo "canônico" são os esquimós.

É uma dieta ao mesmo tempo fácil e difícil de seguir. É fácil porque basta evitar coisas doces e massas. É difícil porque quase tudo que há para comer tem massas ou açúcar. Inclusive salsichas, hambúrgueres congelados etc. A maioria dos produtos "diet" ou "light" segue a moda atual de restringir gorduras, não economiza nos carboidratos.

Outra "facilidade" desta dieta é que a "vítima" precisa apenas ler rótulos e contar gramas de carboidrato, não precisa prestar tanta atenção às calorias.

Dieta Atkins 1.0

Uma vez tendo descoberto que a dieta low-carb reduz peso, o Dr. Atkins tentou explicar o fenômeno.

Aí entra toda uma teoria de "resistência a insulina", que a gordura do corpo tmbém atua como uma glândula, etc. Com poucos carboidratos o corpo entraria em estado de "cetose", ou seja, queima de gordura para sobreviver, o que serve tanto para aproveitar o alimento ingerido quanto para mobilizar as reservas. E isto acabava provocando a perda de peso.

Atkins tornou-se um inimigo irrestrito dos carboidratos, a ponto de advogar que não se comesse muita salada.

O consenso atual é que o Atkins exagerou um pouco na promoção inicial da dieta (por isso estampei o nome "1.0" no subtítulo). Os Atkinzeiros ganharam fama de comedores vorazes de omeletes e queijo.

De fato o efeito emagrecedor da dieta é tão mais pronunciado quanto mais apertada foi a restrição aos carboidratos. O ponto de "empate" varia de pessoa para pessoa, mas é algo em torno de 60g de carboidratos por dia.

Dieta Reuben

Por sorte, meu pai também leu o livro do Dr. Reuben na mesma leva do Dr. Atkins. O Dr. Reuben basicamente advoga que a grande mazela da alimentação ocidental é a falta de fibras.

As fibras têm diversos benefícios: digestão facilitada, evita prisão de ventre e outras doenças do aparelho digestivo, aumenta a sensação de saciedade para uma mesma quantidade de calorias ingerida, e até provocaria uma certa redução de peso a longo prazo.

Diferente da dieta low-carb, a adição de fibras à alimentação é algo que toda autoridade em medicina reconhece como bom e saudável.

As dicas do Dr. Reuben complementam bem, ou contrariam bem, a dieta Atkins 1.0. A fonte mais óbvia de fibras é a salada.

Ao iniciar uma dieta low-carb, ou mesmo sem estar fazendo dieta alguma, é prudente usar suplementos de fibra alimentar. Coisas do tipo: farelo de trigo, sementes de linhaça, pão integral etc.

Sugar blues

Um terceiro livro da época que merece menção é o "Sugar blues". É meio zelote (compara açúcar a cocaína) mas não deixa de ser válido.

Se pararmos pra pensar, açúcar e amido são formas altamente concentradas e "artificiais" de carboidrato. O ser humano não está adaptado, ainda, para usar estas fontes de alimento de forma correta.

É interessante mencionar que diferentes raças têm diferentes tolerâncias ao carboidrato. Orientais em geral (o que inclui esquimós e os nossos índios) têm intolerância a lactose e engordam muito mais rápido sob dietas ricas em carboidrato.

Os carboidratos simples (açúcar, frutose no estilo Karo, etc.) podem ser viciantes. A interação entre eles e a insulina causa uma oscilação da glicose no sangue, o que "dá barato".

E como tudo que "dá barato", é seguido por síndrome de abstinência. Ter comido açúcar induz a comer mais açúcar.

Mesmo que você não queira adotar uma dieta low-carb, evitar produtos à base de açúcar é, por si só, uma boa ideia.

Os amidos também são uma forma algo artificial de concentrar carboidratos. Os cereais que consumimos são todos produtos de seleção e hibridação; as versões "selvagens" destes alimentos produzem muito menos. (Quem implica com alimentos geneticamente modificados teria de voltar 5000 anos no tempo para consumir algo "realmente" natural.)

E por que a dieta low-carb funciona?

Sendo reducionista, a explicação do Dr. Atkins para isto é que o gordo já está num estado pré-diabetes tipo 2: causa e conseqüência do excesso de gordura acumulada, já que esta atuaria como uma glândula autônoma. A dieta é simplesmente o tratamento para esta doença.

O consenso moderno é que as teorias do Dr. Atkins sobre cetose etc. não explicam a perda de peso, senão num período inicial (que realmente funciona por mais que se coma gordura e proteína).

O que se acredita hoje, e que eu acho que está certo baseado na minha própria experiência, é que a simples restrição de opções alimentares induz a comer menos, e assim perder peso.

Empiricamente, eu vejo que há dois tipos de gordos por aí: os que comem grandes quantidades de comida "normal", e os que comem quantidades normais porém amam coisas doces e variadas. Estes últimos são a maioria.

Eu me enquadro no segundo tipo, meu apelido no emprego atual é "abelhinha" e provavelmente a dieta low-carb funciona melhor para mim do que para outros tipos de gordo.

O fato é que temos "três estômagos": um para comidas "fortes" no estilo carne e verdura, outro para massas, e um terceiro para doces.

Isto eu pude notar muito bem freqüentando um espeto corrido. Antes, eu comia uma quantidade X de carne, Y de massas e Z de doces. Agora, eu como X de carne, e zero do resto.

Ao contrário do que o senso comum diria, eu não preciso comer muito mais carne do que antes para me sentir satisfeito. Como carne é majoritariamente proteína, cuja contagem calórica é baixa, é claro que o peso tende a baixar...

Todo gordo "abelhinha" tende a abusar dos doces. Este é o fato triste. Ninguém ficaria gordo se não comesse demais. A dieta low-carb talvez seja mais uma reeducação disfarçada do que uma dieta "clínica".

Muito se falou que a gordura trans é uma grande vilã porque permite misturar açúcar e gordura numa forma agradável ao paladar. Embora gordura trans seja algo a se evitar, eu acho que a mistura da "gordura natural" com carboidrato é sempre vilã. Coisas do tipo batata frita, aipim frito, polenta frita, chocolate, panetone, enfim, tudo que é gostoso :)

Ainda nesta linha, é interessante notar que pessoas que comem muito açúcar mas pouca gordura — o típico chupador de balas e pirulitos, todo mundo conhece um — tendem a ser magros.

Seguir uma dieta low-carb vai exigir um pouco da sua imaginação, para que a alimentação seja minimamente variada. Se você cair naquela de comer omelete todo dia, vai acabar desistindo ou ficando doente.

Será que faz mal?

Os detratores da dieta low-carb costumam mencionar a "dieta da pirâmide" onde 60% das calorias devem vir de carboidratos. Omitir esta fonte majoritária tem de causar problemas. O cérebro em particular queima apenas glicose, portanto é necessário ingerir glicose. E por aí vai.

Eu acho difícil que a dieta, em si, faça mal, até porque a refeição saudável por excelência é um pedaço pequeno de carne e um monte de salada.

Naturalmente, entra a constituição individual de cada um. Quem tem problemas renais tem de evitar proteínas, quem tem colesterol alto tem de evitar certos tipos de gordura. Estes tipos teriam graves problemas com dietas low-carb.

E da mesma forma talvez muitos de nós tenham de evitar os carboidratos.

Pessoalmente, me sinto melhor em diversos aspectos com a dieta low-carb. Não me sinto cansado de graça, mesmo depois de praticar exercício (outra acusação comum contra low-carb, na minha experiência infundada). Até a mente parece trabalhar melhor.

Cá pra nós, a grossa maioria dos gordos não pratica exercício, aí se sente fraco quando tenta, e põe a culpa na dieta... É como aquela pessoa que usa o automóvel até para ir na padaria da esquina, recrimina o cônjuge quando vai jogar bola, depois reclama que não consegue emagrecer.

Um problema real da dieta low-carb é a privação de fontes naturais de vitaminas, como frutas. É permitido comer um pouco de fruta depois da fase de indução (falarei disso adiante), mas talvez não seja o suficiente.

Assim, é uma boa ideia tomar um suplemento vitamínico qualquer, e um suplemento de vitamina C, enquanto estiver fazendo a dieta.

Outro suposto problema é o rebote: o peso volta muito rápido ao retomar-se a alimentação original. O corpo ficaria especialmente "faminto" por carboidratos.

Acho isto meio exagerado. É óbvio que o sujeito vai engordar de novo se voltar a comer tanto quanto antes.

E isto é um defeito chato de todas as dietas. As células de gordura murcham, porém continuam lá. Ouvi dizer que o prazo para que elas finalmente desapareçam é um mês por quilo em excesso. Ou seja, se você estava 30kg acima do peso ideal, vai ter de manter o peso ideal por 3 anos no mínimo, para livrar-se do "efeito sanfona".

O Dr. Atkins adotava seguir a dieta low-carb pela vida toda, mas se você fica com a pulga atrás da orelha, não precisa fazer isso. Pode voltar a comer carboidratos, contando calorias, quando atingir o peso normal. Só vai precisar se controlar para não comer cada vez mais doce, como seria o meu caso :)

Outra acusação comum é dizer que a dieta low-carb só faz perder água e músculo. É possível e provável que haja perda de massa muscular em qualquer dieta (é por isso que deve ser acompanhada de exercício), mas certamente uma boa parte dos 19kg que perdi foi gordura.

Uma técnica interessante que o Atkins prescreve, e que desmente esta história, é medir a barriga em vez de se preocupar com a balança. Redução do diâmetro da barriga é o "termômetro" do funcionamento da dieta; e como se sabe, é ali que está a temível gordura visceral. Se a barriga diminui, esta gordura está indo embora.

Na prática

Como eu disse, a dieta é ao mesmo tempo fácil e difícil de seguir.

Em primeiro lugar, prepare-se para gastar mais dinheiro com comida, porque os alimentos à base de massa e doce são os mais baratos, justamente os que você tem de evitar.

Ao contrário da dieta Atkins 1.0, acho que saladas nunca deveriam ser evitadas na dieta low-carb. Mas veja bem: é "salada", não "salada de batata". Você tem de comer alface, tomate, pepino, brócolis, e maneirar na vagem. Não pode comer batata, maiones, ervilha, feijão...

A rigor, os empanados têm de ser evitados. Mas isto restringe ainda mais as opções de alimentação, principalmente ao se comer fora. Pessoalmente, não evitei os empanados nem mesmo no início da dieta, apenas procurei não exagerar; e evitei com rigor outras formas de carboidrato.

A necessidade de sair da mesmice me levou a comer mais peixe. Acho que comi mais peixe e frutos do mar nestes últimos cinco meses que em toda minha vida anterior. O que é provavelmente uma boa coisa.

Você tem de se acostumar a ler informação nutricional de alimentos, e vai se surpreender como há carboidratos em coisas insuspeitas como molhos prontos, salsichas, hambúrgueres, queijos processados, até salames (alguns levam leite ou lactose) e outras coisas inicialmente insuspeitas.

Lactose também é um carboidrato simples (açúcar) e tem de ser evitado do mesmo jeito. Um potinho de iogure natural tem 9g de lactose, uma minoria de queijos também tem um pouco. O creme de leite "grosso" não tem lactose, mas, ironicamente, as versões "light" têm. Se você gosta de café com leite, e bebe vários por dia use creme de leite, ou leite de soja light.

O Atkins dizia que o café estimula o pâncreas e por conta disso deveria ser evitado. Eu acho que o problema do café é que, por motivos culturais e de paladar, "pede" um complemento: um docinho ou chocolate (tudo vai bem com café, até um cigarro). O chá não evoca tanto esta associação, assim trocar o café pelo chá tem um benefício, digamos, psicológico.

Alguns itens de fácil conservação e consumo são os amigos do dietista low-carb, pois permitem matar a fome facilmente: ovos, frios à base de carne, queijos, conservas como pepino e palmito. Só não podem virar o prato principal.

Comer numa viagem de avião é a situação mais complicada para o low-carb, porque quase não se acha comida 'normal' em aeroporto. O jeito é levar uns quitutes como queijo de casa, e ir enrolando com isto no caminho. Se não sobrou alternativa e tiver de 'furar' a dieta, opte por sanduíche natural, pão integral ou assemelhado.

Já fiz coisas ridículas como comprar um lanche do McDonalds e comer apenas o "miolo", descartando os pães. Como os "molhos especiais" deles têm açúcar, não seria bom fazer três refeições por dia nesta base, e sairia muito caro. Mas é uma alternativa, cuja maior desvantagem é exigir garfo e faca.

O Atkins mede a 'malvadeza' de cada carboidrato pelo impacto que ele tem na insulina. O tal índice de glicemia. Nem todo carboidrato tem o mesmo impacto. Açúcar é o pior de todos, amido e massa é bem menor.

O índice isoladamente não conta a história toda. A cenoura tem índice maior que o açúcar, mas isto se refere ao carboidrato da cenoura considerado isoladamente; a cenoura "real" tem noventa e tantos % de água, portanto 50g de cenoura é muito menos problemático que 50g de pudim.

Hoje em dia está muito mais fácil fazer dieta low-carb que nos anos 80. Naquela época, mal havia salada em bufetes de restaurante, e a única coisa dietética no supermercado era adoçante e gelatina.

O ovo já foi o maior amigo dos low-carb no passado, porque alimentos à base de ovo parecem ter massa ou leite. Por exemplo, pode-se fazer "pão", batendo ovos até aerar e depois assar numa forma. Ou bolinhos fritos de verduras picadas, com ovos para dar liga.

Como eu continuo gostando de doces, compro bastante itens diet doces: leite de soja light Ades, gelatina diet (vai muito bem com creme de leite), chocolate diet ou 70% (mas veja a próxima seção). E muito refrigerante diet, é claro.

Desde o primeiro dia da dieta eu me permiti uma "violação" da dieta: um copinho de iogurte natural por dia.

É importante possuir uma balança e se pesar todo dia, mas ao mesmo tempo as pequenas oscilações de peso não devem ser motivo de preocupação. Qualquer resfriado faz o peso oscilar 2kg. O importante é ir observando a tendência. Traçar um gráfico pode ser útil para isto.

Eu tenho praticado caminhada há quase dois anos. Ou seja, desde um ano e meio antes de começar a dieta. Provavelmente isto me ajudou em diversos aspectos.

Fazer exercício talvez seja um método de compensar pequenas violações da dieta low-carb, já que o carboidrato é a "primeira escolha" do corpo. (Isto é hipótese minha.) 75g de carboidrato fornecem 300 calorias, queimáveis com uma ou duas horas de exercício.

A moral final é a seguinte: você descobre que pode comer de tudo, desde que em pequenas quantidades, e fazendo um exercício (nem precisa ser atleta nem gastar com academia ou equipamentos caros, basta andar pra frente). Aí você se pergunta por que não vinha fazendo assim desde sempre, em vez de se entupir de comida e perder a forma...

Alguns efeitos desagradáveis menores da dieta: hálito ruim .Ande com uma caixinha de Valda Diet por aí. A química bucal muda de forma que quem tem tendência de juntar tártaro, vai juntar bem mais de pressa. Mantenha a higiene bucal em dia e visite o dentista.

Adoçantes e adoçantes

Adoçantes como os que se pinga no café, ou há no refrigerante diet, são muito fortes e apenas têm gosto doce, não têm valor nutricional. Como são quimicamente diferentes dos carboidratos, não têm gosto exatamente igual, nem servem para uso culinário.

Quase todo adoçante tem sódio, assim quem tem pressão alta tem de ficar esperto com eles. (Por outro lado, ser obeso é a forma mais garantida de ser hipertenso.)

A última moda das dietas low-carb são os poliálcoois ou polióis: carboidratos levemente modificados. Contam como carboidratos na informação nutricional, mas não como açúcares. Têm características gustativas/culinárias parecidas com açúcares, mas não são totalmente aproveitados pelo organismo.

As bactérias também não conseguem aproveitá-lo, assim os polióis não causam cáries. Algumas bactérias "mutantes" conseguem; assim os polióis são usados em laboratório para identificá-las.

Os polióis são "amigos" da dieta low-carb mas não podem ser consumidos sem limite, porque são parcialmente assimilados. Uma barrinha de chocolate diet com 12g de manitol conta menos que 12g de açúcar, mas se você comer dez barrinhas num dia, vai 'furar' a dieta.

Chicletes sem açúcar como Mentos e algumas balas diet usam sorbitol ou outro tipo de poliol. São boas opções para satisfazer o "dente doce", ao mesmo tempo deve-se tomar cuidado com o excesso.

O "outro problema" dos polióis é que, se eles não são completamente absorvidos, vão "sobrando" na digestão e têm efeito laxativo.

Os xiitas da dieta low-carb não gostam muito dos polióis, em particular do maltitol, que é o mais utilizado em chocolates e sorvetes sem açúcar.

Penso que o problema real é o excesso: alguém detona um pote de sorvete diet, volta a engordar, e põe a culpa no maltitol. É bom lembrar que sorvete é feito de leite, e leite tem lactose.

As fases da dieta

Fase 1: indução. Comer "zero" carboidratos. Isto é impossível mas mirar em zero vai limitar o consumo a menos de 20g por dia, que é o limite. Se feita direito, umas duas semanas nesta fase pode ser o suficiente.

Fase 2: perda de peso. Adicionar alguns carboidratos, de preferência complexos, de baixo impacto na insulina, e ficar de olho se o peso continua baixando.

Fase 3: manutenção de peso. Adicionar mais carboidratos, sempre preferindo os mais naturais, e ficar de olho na balança. Mudar para uma dieta no estilo contagem de calorias pode ser uma opção.

Os primeiros três dias da fase 1 são uma experiência punk. Você come muito mas sempre "falta algo". Não é uma boa ideia ir no supermercado nestes dias. É bom ter um estoque de gelatinas diet e outras coisas adocicadas para aguentar. Alguns podem sentir tontura, cansaço etc.

A coisa mais desesperada que fiz nestes dias foi misturar creme de leite, coco ralado (a versão sem açúcar), adoçante em pó e canela. A esta iguaria, eu dei o nome de "larica". Quem sabe ainda vire um prato de renome internacional.

De repente a sensação ruim passa. Mas você vai se sentir "diferente". Não é pior do que o "normal", mas é diferente. O cérebro funciona diferente.

Eu tenho mantido a dieta permanentemente numa "fase 1" estendida, porque isso acomoda alguns "furos" como o iogurte natural matinal e o eventual camarão empanado. E de vez em quando uma fruta.

Esta dieta é mais eficaz para sair da obesidade do que para chegar a ficar "magrela". Não é um método para a mulherada caber na calça 36. Depois cair do IMC 32 para 27, está demorando bastante para baixar até o IMC 25. As fugidas da dieta no Natal e Ano-Novo certamente não ajudaram neste mister...

Bebidas alcoólicas são, em geral, permitidas depois da fase 1, porém bebidas como cerveja têm alguns gramas de carboidrato por lata, então evito quase inteiramente. Além do mais, o que eu realmente gosto é batida de coco, de maracujá, de morango... feitas de leite condensado. Totalmente proibido! :)

Tentei acomodar uma fatia de pão integral toda manhã. Parei de perder peso imediatamente. O jeito foi ficar sem pão, pelo menos por enquanto.

Comida japonesa é considerada "light por excelência" mas é preciso evitar o sushi (à base de arroz) nas fases 1 e 2. O próprio molho shoyu tem um pouco de açúcar, mas não é um problema porque é consumido em pequenas quantidades (até porque é cheio de sal).

Uma violação curta da dieta não necessariamente significa um retorno à estaca zero. No dia de Natal (exatos 24h de salvo-conduto da dieta) comi todos os carboidratos do mundo, incluindo um panetone quase inteiro, e não me senti "punk" no dia seguinte, em que continuei a dieta low-carb. Claro que ganhei um quilo :)

Provavelmente o retorno seria progressivamente mais doloroso conforme eu estendesse a violação para dois ou três dias. Mas não pretendo ficar testando isso, não em mim mesmo.

Aspectos psicológicos

Em termos absolutos, não é tão difícil fazer uma dieta low-carb, principalmente nos dias de hoje.

A real dificuldade é isentar-se de carboidratos quando todas as demais pessoas da sua família, ou do seu trabalho, estão comendo doces, na sua frente. Isto é realmente chato.

Ou você vai num aniversário, e tudo que há para comer é brigadeiro e coxinha. Não há refrigerante diet e o café na térmica já está devidamente adoçado. Aí rola aquela pressão social, se você não está comendo é porque está colocando em dúvida a limpeza na preparação dos quitutes...

A minha solução para o dilema é simples: eu me considero doente, e como doente tenho de evitar certos tipos de alimento. Não vou comer algo que pode me matar só para agradar alguém. Às vezes até me identifico como diabético em restaurantes; torna tudo mais fácil na hora de perguntar se prato X leva açúcar, ou pedir prato Z sem arroz.

Ainda assim, não é fácil.

Por outro lado, a satisfação de estar menos gordo, de alguém do sexo oposto olhar para você de vez em quando (quando antes niguém mais olhava), é bastante boa :)

Um outro problema de todo seguidor da dieta low-carb é o famoso "só um pouquinho", que é parente do "só desta vez".

É aquela coisa: se eu comer só um brigadeiro, não tem problema. Se comer dez brigadeiros só hoje, não tem problema. Só uma batatinha frita, só um lanchinho do McDonalds...

Não é difícil enxergar aonde isto leva: estraga a dieta, e num segundo momento leva ao completo abandono da mesma.

Como uma cobra que morde a própria cauda, o problema se realimenta. A maioria dos gordos busca na comida uma grande parte da sua satisfação emocional. Um sentimento comum de gordo é se conceder um pote de sorvete ou uma barra de chocolate branco porque "está merecendo".

Aí, se todo mundo está tomando sorvete e o gordo não pode, ele se sente "injustiçado". Se lhe é negado algo que ele merece tanto quanto os outros.

E sempre em grande quantidade; comprar um pote de sorvete e tomar uma colher por dia é "injustiça".

Mais que fazer esta ou aquela dieta, é preciso livrar-se deste tipo de sentimento. É óbvio que comida é uma fonte de prazer para os magros também. Conceder-se um jantar num bom restaurante, todo mundo faz e deve fazer. O ponto é não se entupir.

Nisto entra a questão da educação. Crianças ganham doces quando se comportam, ou quando comem tudo que está no prato. Vai se criando a associação entre doces e aprovação. Ir ao McDonald's é um momento feliz, onde a família está reunida. Aí de repente vem um doido como eu, dizendo que você deveria abster-se de comer estas coisas. Vá...

Um ex-patrão (que infelizmente já foi alcoólatra e usuário de drogas) me disse uma coisa: nunca se embebede para "criar coragem", para por exemplo chegar numa menina. Porque isto vai criar a associação álcool-diversão, e depois você não vai mais conseguir divertir-se sóbrio. Experiência em primeira mão.

O mesmo acontece com a comida: se você associa cada evento divertido a um banquete romano, vai ser difícil isentar-se de comer demais.

Por outro lado, se seu único prazer na vida for comer, não vai conseguir seguir nenhuma dieta. Seria bom encontrar outros prazeres desvinculados da comida, antes de tentar dieta.

Para mim, caminhar virou a "válvula de escape padrão", mas chegar neste ponto deu um certo trabalho, toda atividade física é cansativa no início, quando não se tem preparo.

Quando saía de casa para passear, antes eu já ficava pensando aonde ia comer. Agora procuro incluir alguma atividade que me seja agradável para substituir a comida, para que eu não seja um mero chofer da esposa e do filho... Se o passeio cruza alguma ferrovia, aí está o meu foco :)

Enfim, esta é a minha experiência com dieta de baixo carboidrato até aqui.

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