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O meu modesto equipamento, presente e passado

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Conforme contei no artigo O vírus da fotografia, meu interesse por fotografia já teve uma encarnação anterior, na época dos filmes e slides. Primeiro brinquei com uma SLR Zenit, depois comprei uma Yashica FX-3 usada, mais umas lentes também usadas.

Em termos artísticos foi uma experiência nula, ou menos que nula; foi aquela fase em que acreditamos que equipamento profissional "compra" fotos boas. Nem mesmo um retrato casual que preste sobrou desta experiência! As fotos do passado que eu considero boas, mesmo dentro do contexto "retratos", foram tiradas por pura sorte com câmeras automáticas e despretensiosas. Mas as SLR manuais serviram bem para aprender a parte mecânica da fotografia.

Tudo recomeçou com um presente da esposa, uma Nikon Coolpix P520. Com esta máquina já tirei fotos e fiz vídeos que julgo interessantes, dentro da minha área de interesse (preservação ferroviária). Essa linha de câmeras "superzoom" é o que eu recomendaria para quem quer tirar fotos melhores que celular mas não tem interesse nos detalhes técnicos. Se quiser caprichar ainda mais, mas ainda isentar-se da técnica, procure por um modelo com sensor relativamente grande.

Meu dinheiro e meu tempo são limitados, então eu procuro vender todo equipamento que tende a ficar parado no armário. Isso ajuda a financiar as próximas aquisições e satisfaz o pequeno xintoísta-animista que existe dentro de mim (tenho pena de objetos que ficam jogados numa gaveta sem cumprir a função para a qual foram construídos).

Daqui em diante vou resenhar resumidamente todo equipamento que possuo ou já possuí, desde o "marco zero" que foi a DSLR Nikon D3200. Espero que este relato, feito mais ou menos em ordem cronológica, sirva de inspiração para quem estiver decidindo comprar seus primeiros equipamentos.

Câmera digital Nikon D3200

Existe uma regra que diz: "você obtém aquilo que paga". Normalmente a qualidade de um produto é proporcional ao preço. Isto não vale para a câmera DSLR Nikon D3200. Esta é a máquina mais barata da sua classe, porém sua qualidade está próxima das máquinas de topo de linha.

Toda a série D3x00 é bem avaliada, depois de um mau começo com a D3000. O modelo mais recente é a D3300, mas se você conseguir a D3200 ou mesmo a D3100 com um preço realmente vantajoso, qualquer uma é boa opção como primeira máquina fotográfica "séria". A maior diferença entre as revisões desta DSLR de entrada é a gravação de vídeo. Se vídeo é importante para você, evite a D3100, que só faz vídeo HD. A D3200 filma Full HD a 30 quadros por segundo; e a D3300 filma Full HD a 60 quadros. De resto, são muito parecidas.

Preferi a D3200 em vez da D3300 porque a última era recém-lançamento quando comprei a primeira, e a diferença de preço no mercado formal era grande. Comprei a D3200 em loja séria, com nota fiscal, aquela coisa toda. Procedência e papelada em ordem fazem muita diferença na hora de revender material fotográfico — característica notável deste mercado.

Para nós brasileiros, as D3x00 têm uma vantagem adicional: fabricada na Zona Franca de Manaus. A etiqueta na máquina exclui qualquer chance de alguém suspeitar que seja contrabando.

Não conheço a linha da Canon, mas ela tem uma concorrente à altura na mesma faixa de preço para cada máquina da Nikon. Outros fabricantes como Sony, Samsung, Fuji, Olympus, Panasonic, etc. também oferecem excelentes máquinas mas estão melhor posicionados no segmento de mirrorless, então seria comparar laranjas com bananas.

É claro, as máquinas full-frame da Nikon (D610, D750, D810, D4, Df) têm qualidade de imagem melhor que a humilde D3200, principalmente com pouca luz. O ISO aproveitável das full-frame vai até 3200, o das máquinas APS-C não passa de 1600. Mas com luz boa toda máquina é parda, e muitos profissionais usam D7000 ou D7100 com bons resultados.

Primeira surpresa ao usar a nova DSLR: a bateria parece durar para sempre! A primeira coisa que tinha comprado para a Coolpix era um par de baterias de reserva, e estava preparado para fazer o mesmo pela D3200, mas quase 2 anos depois não sinto a menor necessidade. É a grande vantagem da DSLR, ainda não batida por nenhuma mirrorless.

Uma DSLR não gasta energia em repouso. Você liga a câmera de manhã e só desliga na hora de ir para casa. Se esquecer uma semana ligada, não gasta quase nada de bateria. Na verdade o consumo de bateria em repouso independe da chave On/Off: mesmo desligada a câmera detecta a troca do cartão de memória. Se for absolutamente necessário manter a bateria cheia, é preciso removê-la da câmera, mas isso é de utilidade duvidosa porque uma bateria de lítio esvazia sozinha em algumas semanas.

O que realmente consome bateria na D3200: fazer vídeos, e principalmente usar o flash embutido (que além de tudo é fraco). Usar o Live View para fotos consome mais energia mas não chega a preocupar. Usar um flash externo ajuda bastante.

As vantagens das máquinas Nikon DX mais caras (D5x00, D7x00) sobre a D3200 giram em torno de facilidade de uso: mais botões, mais dials, mais buffer para fotos em rajada, WiFi embutido, touchscreen na D5500. As máquinas D7x00 são robustecidas para uso profissional e têm motor de foco, que permite usar lentes AF e AF-D. Se você for do tipo que quer ter muitas lentes, isso pode ser um diferencial porque lentes AF e AF-D são mais baratas, e algumas lentes nem existem na versão AF-S.

Mas a qualidade de imagem da D3200 é essencialmente a mesma das irmãs maiores. O sensor é o mesmo. Como eu fotografo em RAW, não me importo se as D5x00 ou D7x00 conseguem gerar JPEGs melhores na câmera. Um computador, um software decente e 30 segundos de processamento certamente geram JPEGs melhores ainda.

A resolução do sensor, 24.2MP, parece uma jogada de marketing, mas ele realmente funciona e entrega fotos com esta resolução, desde que iluminado por uma lente à altura. O zoom 18-55mm do kit é muito bom, principalmente para uso casual, mas não vai gerar imagens com detalhe incrível. Uma lente fixa de boa qualidade, como a 35mm 1.8G ou alguma lente 50mm presente ou passada vai "tirar o suco" deste sensor. A resolução do sensor é exatamente a mesma em todos os modelos DX.

Alguns recursos populares e facilmente encontrados em máquinas mais baratas, como HDR, foto panorâmica e bracketing, não estão presentes na D3200. Ela é bem espartana nesse aspecto. É máquina para amadores que levam fotografia a sério, e que sabem manipular um arquivo RAW ou fazer efeitos especiais no Photoshop. Na linha Nikon DX, a máquina mais indicada para quem gosta de recursos engraçadinhos é a D5500 (nem as D7x00 têm tantas firulas).

Da mesma forma, a máquina topo-de-linha D4 tem menos recursos que a D750, porque profissionais têm necessidades diferentes de entusiastas. Cada modelo e cada fabricante têm uma proposta diferente: uma Leica M9 custa 7000 dólares e não tem automatismo nenhum além dos comandos básicos (abertura, obturador, ISO e balanço de cor). Até o foco é manual! E o que os fãs da Leica dizem? Que isto é uma vantagem, pois evita distrações, bla bla bla.

A D3200 é relativamente pequena e muito leve, característica das linhas D3x00 e D5x00. Não chega a ser uma máquina discreta como uma Leica, ainda causa certa intimidação e comentários ao fazer fotografia de rua, mas é por sua vez bem mais discreta que uma D4. Com um pouco de sorte, e usando uma lente pequena, os transeuntes confundirão a D3200 com a Coolpix.

Se a máquina estragasse hoje, ficaria indeciso entre adquirir uma igual (ou talvez até uma D3100 usada), ou partir para uma D7200. Estou muito contente com o sistema DX. É óbvio que compraria uma DSLR full-frame (e uma Leica) se ganhasse na loteria, mas em termos racionais o equipamento ainda faz muito mais do que meu parco talento consegue utilizar.

Há muitos recursos festejados como Wi-Fi, HDR, auto-bracketing, efeitos especiais, panorama, etc. que a D3200 não tem e não sinto a menor falta. Coisas que eu realmente sinto falta na D3200, que me fariam pensar num upgrade para a D7200:

E quanto às mirrorless?

Bem, no início de 2014 as mirrorless eram mais escassas, e quase inexistentes no Brasil. Hoje (final de 2015) as mirrorless avançaram muito e já se encontram à venda, pelo menos no mercado cinza.

Ainda acho as mirrorless muito caras. Uma mirrorless razoável custa quatro vezes mais que uma D3200. Isto inclui modelos de sistemas Nikon 1 e Four Thids, cujos sensores são ainda menores que APS-C. Tenho dificuldade em aceitar que um aparelho com menos partes móveis, menos legado, desempenho semelhante, e ainda imaturo em certas áreas (e.g. consumo de bateria) custe tão mais caro. Entendo que há custos de pesquisa e desenvolvimento, mas descarregar estes custos de forma tão flagrante em cima dos nerds early adopters... estou fora.

Concordo que as mirrorless são o futuro, mas esse futuro ainda não chegou. Este é bom artigo sobre o assunto. Em 2020 a gente vê como as coisas estão.

Lente Nikon DX 18-55mm f/3.5-5.6 VR

Esta é a lente que vem no kit com as máquinas fotográficas Nikon DSLR DX mais básicas, como a D3200 e D3300. Elas podem aparecer em kits da série D5x00 ou D7x00, embora estes modelos mais caros costumem vir com a lente 18-105mm, ou até a 18-140mm.

A lente 18-55mm, bem como os demais zooms DX incluídos em kits, são representativos da estratégia de marketing da Nikon e da Canon: oferecer um zoom despretensioso, barato, leve, porém com excelente qualidade de imagem.

Se você "ganhou" um zoom com seu kit de câmera digital, não o despreze. O que você pode fazer eventualmente e trocar por um zoom mais poderoso. Há os zooms de kit mais poderosos, o 18-140mm é bem considerado, o 18-105mm nem tanto. O zoom 18-140mm tem flange de metal. Fala-se muito bem do zoom DX 16-85mm, mas também é muito mais caro.

Vou reforçar o aspecto da leveza do zoom 18-55mm. Isto é muito importante para "viajar leve". Uma lente simples como a 35mm 1.8G DX é apenas um pouco mais leve. O zoom 18-140mm é bem pesado, e como é comprido, o peso puxa o "nariz" da câmera para baixo.

A lente 18-55mm tem flange de plástico. Não é recomendável segurar a câmera pela lente. O mecanismo é sensível como um todo: o elemento frontal roda ao focar, e uma pancada ali pode travar tudo. Lentes melhores protegem essas partes móveis de um jeito ou de outro. Por outro lado, o zoom é muito barato. Se quebrar, você encontra outro por uma bagatela no Mercado Livre.

Não é uma lente excepcionalmente nítida, mas também não é ruim. (Lentes mais nítidas também são mais difíceis de usar; aquela coisa de tirar um retrato e a orelha sair mais em foco do que os olhos. Para uso despretensioso, este zoom é a melhor coisa que há.) Já vai muito longe a época que zooms eram sinônimo de imagem sem nitidez, e zooms de kit eram os piores dentre os piores. Estes zooms de kit modernos são lentes como quaisquer outras, com qualidades e defeitos.

Defeito de verdade, só vejo um: este zoom é artisticamente limitado. Como todo mundo tem um, suas fotos não se distinguem do mar de imagens que outras pessoas estão produzindo todo dia. É possível fazer fotos distintas com ele, mas o esforço é maior.

Este zoom, como a grande maioria dos zooms, tem abertura meio fechada: f/3.5 em 18mm, f/5.6 em 55mm. O bokeh não é particularmente bonito. Os comprimentos focais mínimo e máximo não são diferentes do que qualquer câmera compacta também oferece: são equivalentes a uma grande-angular 28mm e ampliação leve 80mm. Dá pra registrar boas panorâmicas e aproximar um pouco objetos inacessíveis. Nada que impressione, mas suficiente para você descobrir qual o comprimento focal que mais lhe agrada, o que indica qual a lente que você deveria comprar em seguida.

Outro recurso particularmente bem-vindo é o VR (Vibration Reduction). Para os fins de fotos noturnas sem tripé, o VR desta lente mais que compensa a pouca abertura. Gente com mão firme consegue fotos nítidas até 1 segundo de exposição em grande-angular! O VR também é extremamente útil para vídeos. Muitas lentes caríssimas e "artísticas" não têm VR, e só vão produzir fotos realmente nítidas nas mãos de quem sabe o que está fazendo. Para 90% das pessoas que compram DSLRs, que só querem tirar fotos melhores que as do celular, a lente kit zoom é a melhor que poderiam usar.

Este zoom eu vendi para comprar um outro mais poderoso (18-140mm), mas me arrependi porque não arrecadei muito dinheiro com a venda, e a leveza deste zoom ainda me seria útil em algumas ocasiões, conforme descobri tarde demais.

Lente Nikon DX 35mm 1.8G

Esta lente eu comprei no mesmo pacote da Nikon D3200. No cômputo geral é a melhor lente disponível para DX, com grande nitidez, baixo peso, grande abertura, foco rápido e preço acessível.

Para o sensor APS-C (16x24mm), esta lente faz o papel da lente "normal", que em sensores full-frame (24x36mm) seria cumprido pela lente 50mm (que também funciona numa máquina DX, mas cobre um ângulo menor). A lente normal é tudo que você precisa levar numa viagem ou sessão fotográfica, e não vai perder quase nenhuma imagem. Também é mais leve e mais resistente que um zoom.

A Nikon trabalhou muito bem para tornar esta lente barata: US$ 200. Mesmo no Brasil ela não custa muito mais que isso, algo raro em se tratando de equipamento fotográfico (o markup normal é de 50% a 150%). É talvez a única lente DX realmente utilizável em máquinas FX (full-frame), pois a vinhetagem é relativamente suave, e custa 3 vezes menos que a lente 35mm FX.

A grande abertura (f/1.8) permite fazer uns retratos com fundo desfocado, embora o bokeh dela não seja considerado bonito. Pontos de luz desfocados mostram aquele padrão de anéis concêntricos, parecendo uma cebola cortada, muito comuns em zooms. Isto é conseqüência do design que privilegia a nitidez em detrimento de outros parâmetros.

Apesar de ser classificada como uma lente "rápida", "para pouca luz" etc., nesse quesito ela não leva vantagem em relação ao zoom 18-55mm, porque o zoom tem VR. Em fotos noturnas, tenho a impressão que os zooms kit sejam até mais capazes. A única situação em que grande abertura supera o VR é quando o movimento do objeto precisa ser congelado, e não se pode usar flash (o VR compensa os movimentos da câmera, não do objeto).

Não compre esta lente simplesmente porque ela admite mais luz. O VR do seu zoom já cobre esta lacuna. A vantagem da 35mm 1.8G é artística: isolar objetos da cena desfocando o resto, um foco manual mais eficiente, um foco automático mais rápido e menos ruidoso, poder usar filtros graduados sem se preocupar com a rotação da parte frontal da lente (nada na 35mm DX se mexe do lado de fora quando ela faz foco). Além disso, é uma lente mais robusta (flange de metal), mais leve, muito mais nítida, menos chamativa, e que vai ajudá-lo a combater a preguiça que acomete o fotógrafo acostumado a zoom, que fica mexendo no zoom em vez de dar alguns passos para recompor a cena.

Esta lente possui um pouco de distorção de "barril", seguindo a tendência das lentes mais modernas. Esta distorção não é problema em fotografia porque tanto os JPEGs gerados pela câmera quanto os bons processadores de RAW corrigem a distorção de acordo com o perfil da lente. Mas pode incomodar em vídeo, já que as câmeras ainda não têm poder de processamento para corrigir distorção num vídeo em tempo real.

Dentre as fotografias que realmente gostei de ter feito, 80% foram com esta lente.

Lente Nikon 50mm 1.8 AF-D

O uso do zoom e a tendência de "cropar" imagens me indicou que talvez uma lente "short tele" fosse a mais adequada para minha "visão fotográfica". Em full-frame isto seria uma lente 85mm. Em APS-C, a lente 50mm faz o mesmo papel.

50mm é uma lente fácil e barata de projetar e fabricar. A lente 50mm 1.8 AF-D é a lente mais barata da Nikon (fora os zooms kit que são artificialmente abundantes no mercado de revenda), então custa barato brincar com uma delas na câmera APS-C.

As virtudes desta 50mm 1.8D são: grande nitidez, grande luminosidade e "bokeh" pronunciado por conta da grande abertura. O design interno antigo, que usa apenas lentes esféricas, tem suas vantagens: distorção zero e bokeh agradável.

As lentes AF-D da Nikon têm autofoco mas não têm seu próprio motor, então este recurso só funciona em câmeras com motor de foco, verbi gratia: modelos full-frame ou da linha D7x000 (7000/7100/7200). Obviamente são os modelos mais caros. Em compensação as lentes AF-D (e AF) são mais baratas. Se você pretende ter muitas lentes, a conta final pode ser vantajosa. As lentes AF-D são também muito leves e menores que as equivalentes AF-S (com motor de foco interno).

Nada impede você de usar uma lente AF-D com foco manual. As máquinas D5x00 e D3x00 têm o recurso "rangefinder" que facilita a tarefa. Foi como eu utilizei a 50mm 1.8D na minha D3200. Apesar do aborrecimento do foco manual, que torna o trabalho de fotografar mais lento (inviabilizando o uso casual), algumas das fotos mais bonitas que já tirei foram feitas com esta lente.

Acabei vendendo a lente para trocá-la pelo modelo AF-S 1.8G, com motor de foco, bem mais prático. Mas ainda não estou convencido de que fiz a coisa certa...

Seja como for, para quem possui uma máquina DX, um zoom tipo 18-55mm e/ou a grande lente 35mm DX, eu considero obrigatório possuir uma lente "clássica" 50mm. Seja AF-D ou AF-S, ou mesmo uma versão manual mais antiga. O motivo é o "bokeh" bonito, que é bonito em quase toda lente 50mm, mas é feio nas outras lentes citadas. Para fazer um retrato, ou a foto de uma flor, etc. uma lente 50mm é a forma mais barata de atingir um resultado muito distinto.

A Nikon mantém cinco lentes 50mm em produção: 1.8D, 1.8G, 1.4D, 1.4G e 1.2 manual. Embora obsoletas do ponto de vista tecnológico, lentes "D" são muito boas para video, pois sua distorção é praticamente zero. Em vídeo, a distorção não é corrigida em tempo real, por isso é importante usar lentes com pouca distorção.

A lente 1.8D tem outra característica que divide opiniões: o diafragma de 7 palhetas retas que fecha até f/22. As palhetas retas aparecem no bokeh, quando a lente não está na abertura máxima, porém facilitam o efeito "sunstar" (em que pontos de luz parecem estrelas com vários raios emanando do centro). A abertura pequena acentua o efeito, mas existe uma histeria contra aberturas pequenas hoje em dia devido aos efeitos da difração.

Lente Rokinon DX olho-de-peixe 8mm f/3.5

A lente olho-de-peixe Rokinon pode ser encontrada facilmente no Brasil e no exterior, com um preço bem razoável. A versão Nikon é totalmente manual e sem contatos eletrônicos. A mesma lente é vendida sob outras marcas, creio que uma delas é Samyang.

Não é a melhor lente do mundo, certamente as caríssimas lentes olho-de-peixe Nikon e Canon são melhores e têm autofoco, mas a Rokinon é suficiente para uso esporádico. O fato é que esse tipo de lente só vê uso esporádico.

Vez por outra aparece uma situação onde seria interessante tirar uma foto causal com olho-de-peixe, mas ninguém carrega uma mochila cheia de lentes para todo lugar, e as lentes olho-de-peixe e super-grande-angular são particularmente volumosas e pesadas.

Assim sendo, o preço da lente viabiliza um "teste": comprar e testar. De repente é sua praia. Se não for, basta revender.

A lente Rokinon tem uma característica especial, não encontrada em outras, mesmo nas mais caras; a projeção da lente tem relativamente pouca distorção. Ela ainda cobre 180 graus na diagonal do sensor DX, mas sem comprimir de forma excessiva os cantos do quadro. A imagem produzida parece algo natural e panorâmica. Para quem pretende converter a imagem para projeção retilínea no Photoshop, esta pode ser a melhor lente.

A lente é nítida usando a abertura f/5.6 ou mais fechada. Na abertura máxima (f/3.3) ela perde muita nitidez, então nem perca tempo. Fotos arquitetônicas e de paisagem pedem nitidez máxima, então não é bom fechar mais de f/8 também. Para todos os efeitos práticos a lente poderia ter abertura fixa em f/5.6 ou f/8.

A ausência de contatos eletrônicos dificulta o foco — em tese. Lentes grande-angulares têm enorme profundidade do campo. Para fotos de paisagem, basta regular o foco para 1 metro. Como diz a frase, "f/8 e esteja lá".

Lente Nikon 18-140mm f/3.5-5.6G ED VR

A lente Nikon 18-140mm DX é a "kit zoom de luxo" para Nikon DX (a série de câmeras DSLR com sensor APS-C). Faz parte da tríade de zooms para kit: 18-55, 18-105 e 18-140.

Este não é o melhor zoom DX oferecido pela Nikon; esta posição é reservada ao 16-85mm, que eu não conheço mas é muito bem falado. (Também é muito mais caro.) Mas é o melhor zoom de kit, e é tipicamente oferecido com as máquinas da série D7x00 no exterior.

Comprei a linha lente 18-140 usada. Existe uma relativa abundância de zooms de kit, porque o kit tende a custar o mesmo que um corpo de câmera, e ninguém recusa um brinde. A lente 18-105 é mais fácil de encontrar; alguns acham-na ruim, outros gostam muito. Preferi a 18-140mm por ter mais ampliação, foi o único motivo de ter trocado o zoom 18-55m original.

Além do zoom com mais ampliação (140mm é equivalente a 210mm do full-frame, uma ampliação respeitável), os dois grandes diferenciais da 18-140 são: flange de metal (as outras duas têm flanges de plástico e é perigoso segurar a máquina pela lente) e VR (estabilização de vibração) ainda melhor.

(A propósito, todas as lentes kit zoom têm versões sem VR, bem como o zoom 55-200mm. Cuidado para não comprar gato por lebre, adquirindo uma versão antiga, sem VR! A não ser que esteja muuuuuuuuito barata. Algumas lentes destas já têm inclusive a versão VR II, ainda mais eficaz, mas não muito abundante no mercado secundário.)

A qualidade de construção transparece não apenas na flange, mas em toda a "pegada" da lente. O foco manual também é melhor, adotando o sistema M/A, onde o anel de foco pode ser girado a qualquer momento mesmo com autofoco (o ato de regular o foco desliga o automático enquanto o botão de disparo permanecer pressionado). O anel de foco é muito mais ergonônico, com largura, textura e posicionamento melhores que no zoom 18-55mm.

A qualidade de imagem em si não é muito diferente da lente 18-55mm. O zoom kit mais básico já é muito bom para a sua classe, então qualquer melhoria é forçosamente marginal. A "fama" da 18-140mm é fazer fotos muito nítidas em grande-angular (18mm).

Pessoalmente, comprei este zoom em substituição ao 18-55mm que já tinha, porque procurava uma lente mais longa. A outra opção, talvez melhor do ponto de vista de qualidade óptica, teria sido adquirir a 55-200mm DX, ou mesmo a 55-300mm DX. (Estas lentes são encontráveis bastante baratas na versão sem VR, fica a dica se você precisa de uma "tele" poderosa e quer gastar pouco.) Mas aí fica aquela coisa de ficar trocando lente, carregando 2 ou 3 lentes para uso esporádico. A 18-140mm oferece o alcance extra com conveniência.

A 18-140 é 200g mais pesada que a 18-55, e isso faz muita diferença na prática. Esta é a única grande desvantagem. Em retrospecto, deveria ter ficado com os dois zooms, para usar o 18-55mm quando leveza fosse importante.

Lente Nikon 50mm 1.8G

O caminho mais curto e barato para obter um visual "profissa" nas suas fotos é:

1) Adquirir uma câmera DSLR, tanto faz full-frame ou DX (também chamada de "crop", 1.5x ou sensor APS-C);

2) Adquirir uma lente 50mm fixa, com abertura 1.8.

Sim, eu sei que uma câmera "crop" torna a lente 50mm uma lente "de retrato", porque estreita o campo visual, mas isto não muda o caráter da lente. Na máquina "crop" a lente "normal" é 35mm, mas uma lente 35mm profissional custa uma fortuna. A excelente lente Nikon DX 35mm 1.8G privilegia nitidez, não a suavidade (bokeh).

Numa máquina DX uma lente 50mm tende a apresentar uma imagem de tamanho "natural", o que significa que você pode tirar fotos com os dois olhos abertos. A foto é simplesmente um crop do que se vê naturalmente. sem distorção nem mudança de perspectiva.

Em se tratando de câmeras Nikon, a DSLR mais acessível é a D3300 (considerando o modelo mais recente da linha de entrada) e a lente 50mm mais acessível é a 50mm 1.8D, muito boa lente, mas não tem motor de foco, o que implica em foco manual nas câmeras D3x00 e D5x00. Pouco prático no dia-a-dia.

Sendo assim, troquei a 1.8D pela 50mm 1.8G, mais recente e com motor de foco. É a mais barata dentre as lentes profissionais AF-S, mas bem mais cara que um zoom 18-55. A Nikon também oferece a 50mm 1.4G, que custa três vezes mais e não é lá muito diferente. A Canon oferece até f/1.0 com autofoco (a Nikon oferece f/1.2 mas com foco manual). Se você busca profundidade de campo extremamente rasa e não tem limitações de grana, talvez seja um motivo para adotar o sistema Canon.

A Nikon 50mm 1.8G é mais recente e opticamente mais avançada que a 1.8D, com um elemento asférico. A faixa de maior nitidez fica entre f/2.8 e f/8. A nitidez em f/1.8 cai vertiginosamente; use a maior abertura apenas quando a luz escassear ou quiser desfocar o fundo, ou diminuir a nitidez com fins artísticos, e.g. retratos.

Não é uma lente "fácil" como a 35mm DX 1.8G (cuja nitidez é máxima desde f/1.8). A 50mm 1.8G é uma lente profissional e que deve ser usada de forma profissional. Do contrário, suas fotos ficarão ruins. O motor de autofoco induz a um uso descuidado e que leva a erros crassos. Alguns erros que eu mesmo cometi:

1) Devido à grande abertura (f/1.8) a profundidade de campo é muito rasa, então o foco é crítico!

2) A tentação é tirar todas as fotos com abertura máxima, tanto pela luminosidade quanto pelo bokeh (tão em moda) porém isto vai desfocar muito da foto, e de quebra vai roubar nitidez. Isto é ok para retratos porém não para paisagens e fotos arquitetônicas. Uma abertura padrão de f/5.6 ou f/8 é um bom compromisso para dia claro (um foco a 20m garante nitidez de 8m ao infinito).

3) Fechar a lente mais que f/8 causa uma perda (leve) de nitidez devido à difração, então use diafragma mais fechado apenas quando necessário. De qualquer forma, a menor abertura é f/16.

4) O autofoco multi-pontos das DSLRs faz um bom trabalho na média, em selecionar o objeto mais próximo e/ou mais proeminente e focar nele. Mas é um recurso mais prático para lentes mais "escuras", ou grande-angulares (em ambos os tipos, a profundidade de campo é ampla). Porém, numa lente de grande abertura que tende a desfocar tudo que não esteja no plano de foco, é muito fácil a câmera focar num galho de árvore em vez do objeto principal da foto, e o resultado é uma foto desfocada — que você provavelmente só vai notar em casa, porque a telinha da câmera não revela o defeito.

Há dois remédios para este problema. O mais amargo é usar foco manual, que aliás na 1.8G funciona muito ergonomicamente. O menos amargo, e provavelmente mais recomendável, é configurar o autofoco para usar apenas um ponto, em vez de escolher pontos automaticamente. Foque e reenquadre. A totalidade dos tutoriais de fotografia profissional recomenda fazer isso de qualquer jeito. A questão é que, nesta lente, isto é praticamente uma obrigação, para que o foco não vá parar na caixa-prego.

5) Como a lente não tem VR (Vibration Reduction), a maior abertura é completamente anulada pela ausência do VR, e você vai acabar usando velocidades de obturador bem maiores nesta lente do que no zoom baratinho que veio no kit da câmera. Velocidades baixas vão resultar em fotos borradas. Não acredite muito nos comentaristas que dizem que lentes prime rápidas são "para fotos noturnas, pois admitem mais luz". Um zoom com VR na posição grande-angular é bem mais competente em fotografia noturna casual. A grande abertura é uma ferramenta artística, nada mais.

6) Esta lente pode não ser ideal para vídeos, pois tem mais distorção que a 1.8D, e as câmeras ainda não conseguem compensar essa distorção nos vídeos, como já fazem digitalmente com as fotos.

Filtros

Adquiri alguns filtros, como polarizador circular, ND variável, ND graduado. Na hora da compra pareceram uma boa idéia. As fotos de paisagem com polarizador e ND graduado que se vê por aí parecem interessantes, e o ND variável foi adquirido com intenção de brincar com vídeo, e quiçá exposições muito longas.

Na prática, nunca encontrei oportunidade para usar esses filtros. Também decidi evitar a videografia, porque é um "buraco de coelho" (*) mais profundo e mais caro que a fotografia. Depois de ver esses filtros rolando por aqui sem uso por mais de um ano, coloquei tudo à venda.

(*) Metáfora derivada de "Alice no País das Maravilhas". Se você pensou outra coisa, tem a mente suja :)

Flash National PE-200

Este flash tem pelo menos 30 anos e me foi emprestado pelo meu pai. Como ele desenvolve alta voltagem entre os contatos de disparo, fiquei com medo de fazer uso intensivo dele, embora tenha feito um ou dois testes nos quais a câmera não estragou. Antes desses testes conferi que a voltagem a polaridade estavam nos limites especificados pelo manual da Nikon D3200.

O flash tem um vidro levemente amarelado, que faz as vezes de filtro e deixa as cores da fotografia um pouco mais naturais do que o típico flash eletrônico azulado. Isso era mais importante na época do filme. Número-guia 20 e a operação é obviamente manual.

Disparador remoto de flash

Para usar flashes antigos sem medo de estragar a câmera, adquiri no DealExtreme um disparador remoto wireless. Comprei o par (TX e RX) mas há o receptor avulso à venda para comandar diversos flashes simultaneamente, com escolha dentre 4 canais.

Funcionava muito bem, mas foi mais uma daquelas coisas que nunca fiz uso em campo. O fato de exigir duas mãos complicaria qualquer tentativa. Certamente seria mais útil se eu fosse fotógrafo profissional.

Flash CY-20

Devolvi o flash National, vendi o disparador remoto e adquiri um flash CY-20. É um flash manual com a mesma potência do National, mas usa baixa voltagem nos contatos (eu conferi), usa apenas duas pilhas AA e a lâmpada é direcionável no sentido vertical.

Novamente, o flash funcionou em testes, mas nunca tive real oportunidade de usar em campo. Na única tentativa, não fui muito bem-sucedido, principalmente porque era o caso de usar flash de enchimento, e o CY-20 não tem regulagem de potência. Cheguei à conclusão que precisava de um flash automático, com TTL.

Microfone externo

Logo depois de comprar a D3200, tive uma breve empolgação com videografia, e comprei alguns equipamentos específicos para vídeo, como filtro ND variável, e um microfone externo, daqueles que se fixam no pé do flash.

O microfone veio do DealExtreme. Era um microfone ativo, com pilha de 12V e até tinha seleção de cobertura (90 e 120 graus). A qualidade de som era realmente melhor que a do microfone embutido, mas como era fixado no corpo da câmera, os ruídos de motor de foco e zoom ainda aparecem.

Outro problema do microfone é ser chamativo. Usar uma câmera DSLR já é chamativo, imagine com um microfone no topo. O que realmente me fez vender o microfone foi a falta de uso — os poucos vídeos que faço são casuais.

Flash Yongnuo 565EX II

Ainda não tive muita oportunidade de usar este flash, apenas confirmei que o TTL mede corretamente. TTL é o motivo principal de adquirir este modelo um pouco mais caro.

O iluminador de autofoco projeta um padrão cruzado que é bastante efetivo e ajuda a economizar ainda mais a bateria da câmera ao trabalhar no escuro.

Lente 58mm f/2 Zenit

Essa lente foi objeto de um longo artigo que mostra como adaptá-la para o encaixe Nikon.

No final, cometi o erro de tirar um pequeno parafuso do adaptador M44-Nikon, que fez o encaixe girar além da conta e quase estragou a alavanca de controle do diafragma. Isso me assustou e joguei tudo fora, no que fui um pouco precipitado.

O objetivo era ter uma lente "de retrato", com grande abertura e desfoque suave. Numa câmera APS-C, uma lente 50mm a 60mm cumpre esta função, e há muitas lentes com comprimento focal nesta faixa, inclusive novas, por bom preço. Não vale a pena comprar uma lente Helios usada para adaptar. Vale comprar o adaptador e trabalhar uma lente Helios que você já possua, aí a brincadeira pode ser divertida e custar apenas um punhado de reais.

Também é possível encontrar no eBay a lente já recalibrada para foco infinito em Nikon, se você faz questão do bokeh característico da Helios.

Software de edição Affinity Photo

Cheguei a instalar o Creative Cloud da Adobe, mas acabei não pagando a mensalidade nem utilizando nenhum dos programas. Até acho que vale US$ 14 mensais pelo Photoshop, Lightroom & cia., mas eu uso muito pouco para justificar o gasto.

Por outro lado, quando apareceu o Affinity Photo por módicos US$ 40, pagamento único, comprei logo. É um software desenvolvido especificamente para Mac, muito rápido, com interface muito limpa, e suficiente em recursos.

As atualizações gratuitas desde a versão 1.0 acrescentaram ainda mais recursos, o que revela um enorme comprometimento do seu fabricante em fidelizar a base de usuários.

O Affinity Photo inclui um revelador RAW (mas ainda prefiro o usar o Capture NX-D da Nikon para isso), mas não inclui um organizador de fotos no estilo Lightroom, então a organização do seu acervo teria de ser delegada a outro software.

O Affinity Photo parece ter suporte inclusive a plug-ins do Photoshop, que eu acho ser a maior força do software da Adobe. No momento em que escrevi isto, nem todos os plug-ins disponíveis funcionavam.

É um software relativamente fácil de usar, ainda assim é fácil perder-se com layers e grupos, quando tudo com que se está acostumado é Capture NX-D. Assista tantos vídeos de tutorial (disponíveis no site do software) quanto seu tempo permitir.

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