Site menu Resenha: De Zero a Um, de Peter Thiel
e-mail icon
Site menu

Resenha: De Zero a Um, de Peter Thiel

e-mail icon

2015.10.25

Este artigo expressa a opinião do autor na época da sua redação. Não há qualquer garantia de exatidão, ineditismo ou atualidade nos conteúdos. É proibida a cópia na íntegra. A citação de trechos é permitida mediante referência ao autor e este sítio de origem.

Normalmente o amigo LVR me manda bateladas de livros sem nenhum objetivo específico, noves fora a troca de conhecimento e de impressões que só o livro de papel proporciona. O tributo da resenha é como um prato-feito: há partes mais e menos apetitosas. Mas este livro, "De Zero a Um", de Peter Thiel, ele mandou com a intenção específica de me encorajar a ser melhor "vendedor".

Peter Thiel é co-fundador do PayPal e da Palantir. Também foi um dos investidores do Facebook. Ele é o protótipo do startupeiro bem-sucedido, e o livro consiste essencialmente num encorajamento moderado à perseguição da inovação e à fundação de startups.

Agora, como Thiel é um nerd que presume estar escrevendo para outros nerds, e nerds não gostam de ser ofendidos em sua inteligência, o embasamento intelectual para este encorajamento é sólido como rocha. É sem dúvida o "algo mais" do livro.

Boa parte do texto dedica-se à ciência econômica, e poderia por si só ser vendido como um livro de economia.

Por exemplo, Peter Thiel proporciona explicação inovadora, e convincente, do excesso de foco da economia estadunidense em serviços legais e financeiros — um status quo visivelmente degradado em relação aos EUA dos anos 1950. Para nós brasileiros que lamentamos a incapacidade crônica do governo em planejar e executar obras de infra-estrutura, é um pequeno alento constatar que esta incapacidade contaminou o mundo inteiro, em termos relativos.

Ainda na área econômica, Thiel declara que o fundamento do capitalismo não é a competição, mas sim o monopólio. Toda empresa bem-sucedida, por menor ou maior que seja, detém algum tipo de monopólio. Um dos meios de obter este monopólio é inovando. Por outro lado, as empresas aéreas são citadas como exemplo de mercado socialmente útil, porém nulo no aspecto lucratividade.

E sim, os nerds são devidamente encorajados a vender, sempre com bons argumentos e com a compreensão de quem também é nerd. Frases do tipo "eu sei que você acha que isso é um desperdício de tempo e recursos, eu também achava...". Questões práticas de venda e distribuição, como a dificuldade de vender e distribuir produtos de valor intermediário (em torno de US$ 1.000), que não são comprados por impulso como apps, mas tampouco compensa vendê-los de forma personalizada.

O livro é bem escrito e bem traduzido, com um português escorreito e elegante, mas sem pedantismos nem palavras difíceis como... "escorreito". O livro parece ser leve e descontraído, mas a quantidade e qualidade de idéias contidas no texto logo ultrapassa a capacidade de absorção. Como disse o outro: as maiores verdades costumam ser ditas em tom de brincadeira. É um livro a ser relido várias vezes.

e-mail icon