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Falastrões

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2016.09.08

Este artigo expressa a opinião do autor na época da sua redação. Não há qualquer garantia de exatidão, ineditismo ou atualidade nos conteúdos. É proibida a cópia na íntegra. A citação de trechos é permitida mediante referência ao autor e este sítio de origem.

Agora está essa polêmica toda em torno da "Menina que Conquistou o Vale" (do Silício). Alguém que pretensamente tem 5 diplomas da MIT e vendeu uma das empresas de tecnologia que fundou por 50 milhões de Hillaries. Mas agora pretendia abrir uma... hamburgueria e lançou mão de crowdfunding para isso.

Entre nós no #d00dz já a apelidamos de "5B". Ou melhor, o Osvaldo apelidou, numa comparação esperta com outro sujeito que conhecemos e tem o apelido de "5A". Alguém meteu-lhe esse apelido porque, a respeito de qualquer coisa que se lhe perguntasse, a) ele tinha projetado, b) ele tinha construído, c) ele já tinha trabalhado lá, d) ele tinha dois, ou e) era impossível.

Mas o 5A tem seus méritos. Foi pioneiro entre usuários de Linux aqui na terrinha, e me deu muitas dicas quando eu estava começando. Fomos eu, o 5A e o dono do primeiro e único provedor de Internet da cidade (que, naturalmente, o 5A já conhecia) conversar sobre Linux e filosofia num bar da moda. (Nessa época devia haver tantos usuários de Internet quanto radioamadores, e tantos Linuxers quanto radioamadores classe A.)

Assim, dou o benefício da dúvida e assumo que a "Menina do Vale" tenha lá seus méritos, embora certamente a mistura entre talento e auto-promoção esteja longe da estequiométrica.

E de falastrões o mundo está cheio. Não do tipo folclórico como o 5A, mas falastrões de verdade, santos do pau oco mesmo. Já conheci alguns — gente que fala de ganhar milhões e pede um troco pra gasolina quando vai embora. Porém o mais escrachado deles eu não conheci pessoalmente. O falecido amigo Emanoel que me contou essa.

O Emanoel trabalhava numa empresa, cujo dono era evangélico (boa gente, é preciso que se diga). Aí, para dar uma levantada no moral da galera, contratou um daqueles palestrantes inspiracionais. O palestrante era "cristão", tipo aqueles pastores-palestrantes como é o Cláudio Duarte, e costumava ser o Silas Malafaia. Até aí nada fora do esperado, embora já me pareça uma mistura indigesta.

Mas além de pastor-palestrante vocacional, o sujeito alegava ter trabalhado na NASA. E em outras grandes empresas aeroespaciais. Até que resolveu ser... pastor. Em Brusque/SC. Pense numa transição esquisita de carreira. Quem acreditaria numa história dessas? Bem, meu amigo acreditou na época, e não adiantou muito eu chamar a atenção para as inconsistências.

Ai teve as histórias que o cara contou para "confirmar" o currículo, infelizmente esqueci a maioria. Mas lembro da melhor delas. Segundo o carinha, a explosão da Challenger foi causada por um problema de lubrificação da bomba de combustível de um dos foguetes SRB (aqueles que ficam do lado da nave e caem no mar depois que a nave chega ao espaço). Como na NASA "só tinha ateu" o nosso herói era instado pelos colegas a achar "no seu Deus" uma solução para o problema. Aí ele abriu a Bíblia, achou a receita de um perfume no livro de Êxodo, adicionou uma gota de petróleo e voilà! o lubrificante perfeito estava inventado.

Apenas lembrando que SRB quer dizer Solid Rocket Booster. É um foguete de combustível sólido, como um buscapé gigante, inteiramente recheado de material inflamável, não pode ser controlado nem desligado uma vez acionado. Pode ter peças móveis, tipo aletas de estabilização, mas certamente não tem uma bomba de combustível.

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