Site menu Banana-ouro
e-mail icon
Site menu

Banana-ouro

e-mail icon

Você já ouviu falar da banana-ouro, uma banana de raça muito especial, que custa 800 pratas o cacho? Pois é, uns conhecidos meus encontraram esta fruta digna de paladares reais, ainda que por vias tortuosas.

É um casal de meia-idade de minha convivência. A mulher adora uma banana. Nunca vi alguém pra gostar tanto de banana. Eu também gosto, é uma fruta fácil de comer, pode entrar em receitas mais elaboradas, não deixa de ser surpreendente como uma fruta tão abundante seja tão boa. Darwin teria dito que a banana é a desgraça de um povo, porque deixa todo mundo leniente.

Mas me perdi no assunto. Eu gosto de banana, mas com alguns limites. Nem posso comê-la nos últimos tempos já que estou de dieta. Mas a tal senhora (vamos chamá-la de Maria) tem paixão pelo fruto tropical, uma coisa fora do comum. Banana com café, banana frita (ou não) recheando um pão, cuca de banana, está sempre mastigando alguma coisa em que a banana está envolvida.

Maria também aprecia o tal do melado, ou mel de engenho, como chamam no Nordeste. Só falta ela gostar de cachaça também, porque normalmente o agricultor que fabrica melado também fabrica birita. Aliás, existe cachaça de banana também, que ela nunca fique sabendo disso.

Acontece que os vizinhos do lado se mudaram, e colocaram a casa pra vender. Está assim há meses, ainda estão pedindo o preço pré-bolha imobiliária, vai demorar pra aparecer algum otário. Esses vizinhos tinham um pomar no quintal, com as bananeiras de praxe.

E lá estava ele, o glorioso cacho de bananas-ouro, crescendo vistoso e indefenso.

Maria botou olho comprido no cacho. Dia sim, dia não, falava pro marido e pra nora: "O cacho tá crescendo", "Esse cacho não pode ficar aí pros bichos comerem!", "Onde já se viu irem embora e abandonarem banana assim?", "Pai, pula lá e corta esse cacho pra nós!".

O marido da Maria, seu Álvaro, normalmente faz tudo que ela quer, é meio banana também (por isso decerto que vivem um duradouro e feliz casamento) mas desta vez ele foi firme: não ia invadir propriedade pra roubar uma coisa que vale menos que o peso em estrume.

No fim a própria Maria, com a nora por cúmplice (na hora da safadeza, a tradicional rixa sogra-nora é convenientemente esquecida) pularam o muro e roubaram o cacho de bananas, com certa dificuldade porque o dito era realmente gigante.

Restou a seu Álvaro pendurar o cacho por aí para acabar de amadurecer. Ele sempre pendura cachos de banana no mesmo lugar: numa área externa, porém à sombra. Na sala de máquinas da piscina. Com um gancho feito de vergalhão de construção.

Mas o gancho improvisado era subdimensionado para um cacho de bananas tão saudável.

Noite alta, os dois mais a filha e o neto vendo Big Brother, de repente alguém ouve um barulhinho de água escorrendo. Como se estivesse chovendo, mas não estava. Foram ver.

Parecia uma inundação: uma quantidade impossível de água entrando pela garagem e procurando a rua.

Procura daqui, procura dali, aconteceu que o cacho de bananas tinha caído sobre a tubulação do filtro da piscina, e quebrado um cano, bem na emenda com o filtro. O conserto custou 800 reais.

e-mail icon