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2013.04.19

Este artigo expressa a opinião do autor na época da sua redação. Não há qualquer garantia de exatidão, ineditismo ou atualidade nos conteúdos. É proibida a cópia na íntegra. A citação de trechos é permitida mediante referência ao autor e este sítio de origem.

Disse Paul Erdös, um dos mais prolíficos matemáticos de que se tem notícia: "Um matemático é uma máquina que transforma café em teoremas". Da mesma forma, o café é o combustível do nerd, do desenvolvedor de software.

Melhor ainda se combinado com cigarro; a combinação destas drogas dá acesso a outro patamar de consciência. Um patamar na direção oposta ao proporcionado pelo álcool. Como disse Eric Raymond no livro "Hacker's Dictionary", o hacker tende a preferir drogas que agucem o raciocínio, e rejeitar as que embotam a mente.

O cigarro está meio fora de moda, é perigoso (como disse o Febeapá: se você fuma, ou morre de câncer de pulmão ou morre de outra coisa) e para mim não é uma opção, já que a asma sempre está à procura de um pretexto para voltar. O jeito é beber mais café.

Uma parte dos nerds acaba virando "enólogos de café", tão insuportáveis quanto os enólogos originais. Pessoalmente, não tenho gosto muito apurado, então não vejo enormes diferenças entre esta ou aquela marca de café. Já tentei comprar café gourmet em grão, daqueles que custam R$ 80 o quilo. Não vi diferença, para ser honesto achei que produziu um café muito fraco.

Dentre os cafés "de supermercado", a dica do Sérgio Bruder é o Três Corações tradicional. O preço é igual aos demais e até eu noto que a qualidade é boa. É a única escolha que procuro fazer, mas com a recente carestia, se tiver algum outro café consideravelmente mais barato, eu compro.

Por outro lado, eu percebo bastante diferença no gosto conforme o processo de preparo. No patamar mais baixo estão as cafeteiras de supermercado. No geral não aprecio café de cafeteira, embora sejam realmente muito práticas. O café "padrão" para mim ainda é o filtrado manualmente, chaleira no fogo, etc.

Na verdade, essas cafeteiras de filtro descartável variam muito em qualidade. Tínhamos duas aqui; uma produzia um café excelente (mas estragou), a outra faz um café horrível. Uma vez, arrumei uma mini-cafeteira tão ruim que jogava água rápido demais, fazendo o filtro transbordar. Achei uma "solução" para esta última: botar água bem gelada no reservatório, o que retardava o processo. Ah se a Dilma descobre este mau uso da energia elétrica!

Gosto de um café espresso de vez em quando, mas não o tempo todo. Além do mais, as máquinas são caras e gastam bastante energia elétrica. A operação não é trivial, nem as cafeterias acertam sempre. Também tenho cafeteiras italianas (moka pot), gosto do café que produzem, mas não são tão práticas. Servem para quando se deseja um café "diferente".

Figura 1: Cafeteira italiana Cadence

Há quase um ano atrás, vi e comprei uma cafeteira diferente: a "cafeteira italiana" Cadence. O funcionamento é o das cafeteiras automáticas antigas, antes do filtro descartável. Para mim, ela produz o café "perfeito", com o gosto que eu mais aprecio.

Além do bom café, ela tem duas outras vantagens: não usa filtro descartável (que custa dinheiro, e a caixa de filtros sempre termina num domingo à noite, depois do supermercado ter fechado) e mantém o café quente, não vai ficando chocho e frio como numa garrafa térmica. O gosto vai piorando ("queimando") depois de muitas horas, mas já deixei de um dia para o outro e ainda estava tragável.

As desvantagens: como a água circula mais de uma vez pelo filtro, o café pode acabar "super-extraído", que muita gente não aprecia. O gosto lembra um pouco aquele café que algumas donas-de-casa fazem dissolvendo o pó na chaleira de água quente, e depois filtrando a mistura. Como o filtro é metálico, a fração mais fina do pó acaba dissolvida no líquido, aparecendo mais nas últimas duas xícaras. Como a cafeteira mantém o café quente, há um gasto contínuo de eletricidade.

No uso diário a cafeteira deve ser lavada apenas com água fria, para que o óleo do café continue revestindo as partes metálicas. Lavar com detergente ou abrasivo deixa o primeiro café com um leve gosto de metal.

Porém, de vez em quando é preciso lavar bem, principalmente as partes que formam a válvula de subida da água. Como são peças de metal, a vedação fica prejudicada na medida em que a borra e grãos de pó se acumulam, e a água quente sobe em volumes cada vez menores. O sintoma é café fraco.

A rigor o nome do produto está errado, cafeteira italiana é a "moka pot", que faz uso de pressão de vapor. Fora isso, é um excelente produto, é bonito e custa o mesmo que uma cafeteira convencional.

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