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Resenha: Caloi Explorer Comp 2020

2019.12.17

Este artigo expressa a opinião do autor na época da sua redação. Não há qualquer garantia de exatidão, ineditismo ou atualidade nos conteúdos. É proibida a cópia na íntegra. A citação de trechos é permitida mediante referência ao autor e este sítio de origem.

Pois é, comprei uma bicicleta de novo. Por incrível que pareça, meu interesse por bikes vem de longa data, embora intermitente. Não sou especialista nem esportista, mas vou compartilhar o pouco de informação que tenho neste artigo e nos próximos.

Meu interesse sempre girou em torno de mountain bikes, pois são de "uso geral" e resistentes. Estão para as bicicletas de estrada assim como os SUVs e picapes estão para os automóveis "normais". O ideal seria ter uma bike para cada situação, mas quando só é possível ter uma, a MTB resolve.

Por que Caloi?

Desde o início da década de 1990, as bicicletas têm basicamente dois componentes: o quadro, e o "grupo" que é um kit contendo as demais peças. Os fabricantes de grupos formam um seleto oligopólio capitaneado pela Shimano. As fabricantes de bicicletas são antes montadoras; desenham e fabricam o quadro, quando muito.

Fabricar um quadro de bicicleta não é ciência de ponta, mas é importante que haja qualidade e consistência, pois uma falha no quadro tem conseqüências catastróficas. Esse é o motivo pelo qual escolho um fabricante nacional de longa data, com rede de assistência, garantia, etc.

Já tive outras bikes Caloi e elas sempre têm qualidade consistente, a um preço razoável. As mountain bikes Aluminum dos anos 1990 tinham uma geometria de quadro considerada ruim, talvez agravada por um avanço de guidão muito longo e a mania das lojas de vender quadros tamanho 20 para todo mundo, inclusive para baixinhos como eu. Mas isso é passado, foi há três bicicletas atrás.

Por que a Explorer Comp?

As mountain bikes são claramente divididas em castas, com grandes saltos de preço entre elas. A Explorer Comp está na terceira casta de baixo para cima, acima das "bicicletas de supermercado" (R$ 600-1000) e das bikes Caloi que usam o grupo Shimano Tourney (R$ 1500).

A Explorer Comp (R$ 2600) usa uma mistura dos grupos Shimano Altus e Acera, simples e baratos, mas suficientes para mountain biking recreativo. A bike vem com freio a disco hidráulico, superior aos demais sistemas embora menos amigável à manutenção amadora.

Como estou há muitos anos sem andar de bike, seria desperdício investir em equipamento mais sofisticado. Na verdade, para (re)começar a andar, vale até uma Barra Circular. O grande motivo de começar com uma bike melhor é que ela tende a seguir padrões mais modernos, o que facilita futuros upgrades de peças.

Imediatamente acima da Explorer Comp está a Explorer Expert (R$ 3600). Vem com suspensão Rock Shox e grupo Shimano Alivio, considerado o melhor para uso amador (ou o mínimo absoluto para uso profissional, depende do ponto de vista).

A cor da bike é bonita, um verde-oliva que lembrou minha "finada" Caloi Cruiser Montana. (Se alguém ver uma por aí com chassi 627637, é minha!) Mas a pintura fosca das Caloi Elite da década passada era ainda mais bonita.

Uma mudança que tomou de assalto o mundo MTB foi o diâmetro do pneu. A Explorer Comp vem com pneus 29", assim como quase todas as outras MTBs atuais. Há poucos anos, MTB de 29" era uma excentricidade. Por serem maiores, os pneus 29" rolam melhor sobre obstáculos, podem ser mais largos sem que isso custe um arrasto maior, pedem menos pressão e portanto são mais confortáveis.

Desvantagens da Explorer Comp

O selim é considerado ruim, problema amplificado pelo meu sobrepeso. Mandei instalar outro antes mesmo de retirar a bike.

Os pedais são pequenos, mas é prudente lembrar que bicicletas caras nem sequer vêm com pedal, porque cada ciclista tem uma preferência e instala o seu. Pessoalmente, instalei aqueles "firma-pés". É totalmente coisa de velho, mas funciona para mim. Ainda não tive coragem de experimentar aquele sistema que prende a sapatilha no pedal.

A "suspensão Caloi" na dianteira é apenas mola, não tem nada que realmente amorteça o movimento. O resultado é um comportamento imprevisível, principalmente pelo rebote quando o garfo "estica" ao descer um degrau. Parece que bateu no chão com o pneu vazio. Chegava a ser melhor andar com a "suspensão" travada!

Instalei no lugar uma suspensão RST Omega, que é considerada ruim pelos entendidos, mas pelo menos funciona como suspensão. (Já tive uma RST Capa, considerada ainda pior, mas que para mim era plenamente satisfatória, então tenho motivos para crer que a RST Omega vai me atender por um longo tempo.)

Olhando em retrospecto, deveria ter ficado mesmo com a Explorer Expert. Considerando que ela vem com suspensão melhor e também um grupo melhor, a diferença de preço entre as duas torna-se uma pechincha...