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Resenha: Nikon Coolpix P520

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2014.05.01

Este artigo expressa a opinião do autor na época da sua redação. Não há qualquer garantia de exatidão, ineditismo ou atualidade nos conteúdos. É proibida a cópia na íntegra. A citação de trechos é permitida mediante referência ao autor e este sítio de origem.

Minha esposa cansou de me ver indo para estas expedições ferroviárias armado apenas de um celular como máquina fotográfica. Ok, não era só o celular; eu tinha comprado uma lente grande-angular (daquelas que grudam no celular) no DealExtreme. Alta tecnologia!

Enfim, ela me deu uma Nikon Coolpix P520 no Natal para parar de sentir vergonha alheia, e segue uma resenha a respeito, a quem interessar possa.

A P520 está no nicho das "bridge cameras", mais especificamente das "superzooms": máquinas com zoom e fator de ampliação impressionantes, sem precisar intercambiar lentes. Esta comodidade cobra seu preço, conforme veremos adiante.

Recursos

A câmera tem muitos recursos, demorei semanas para digerir o manual. Recursos típicos de câmeras profissionais, inclusive foco manual e exposição totalmente manual, estão todos presentes. Como há muito mais recursos que botões, isto redunda nos temidos menus cheios de opções.

Como os botões e menus seguem o "padrão Nikon", o empenho em conhecer os recursos torna-se um investimento caso o usuário pretenda fazer um "upgrade" para uma DSLR Nikon no futuro.

O zoom varia a ampliação em 40 vezes, equivalente a um zoom 24-1000mm (considerando um sensor ou filme de 35mm), com luminosidade relativamente boa para toda a faixa. É praticamente uma luneta disfarçada de câmera.

Uma omissão muito criticada em outros reviews é o salvamento de fotos exclusivamente em JPEG, nada de RAW. A real utilidade do RAW é polêmica mas teria sido legal brincar com RAW pra ver qualé.

Desempenho

No geral a câmera funciona bem. A maioria dos problemas que tive deveram-se ao meu vício em usar celular; como esta câmera tem autofoco "de verdade" e lente luminosa, a paisagem vai sair desfocada se a câmera resolveu focar num arbusto próximo.

A P520 tem uma leve tendência a superexposição. Ou talvez eu prefira fotos um pouco mais escuras e saturadas. Basta compensar a exposição em -0.3, o que felizmente é executado via botão, não via menu.

Também concluí que as seguintes regulagens proporcionam as melhores fotos: pouca redução de ruído, tamanho de imagem 8MP Fine, Picture Control em modo Vívido com saturação adicional, Active D-Lighting normal.

O fato de ser superzoom acaba implicando num sensor pequeno, de modo que a nitidez das fotos seja mais comparável a câmeras compactas que a uma DSLR. (E sim, mesmo uma câmera compacta de boa marca tira fotos infinitamente melhores que um celular!)

Além do zoom e das regulagens manuais, a P520 tem duas grandes vantagens sobre câmeras compactas: filmagem (Full HD) e fotos noturnas sem flash. Todas as resenhas, mesmo as reprovam a câmera, assinalam estes pontos altos. O modo noturno combina múltiplas exposições, é bem interessante. Ouso dizer que ela é melhor enquanto filmadora que minha D3200.

O display, articulado, também é muito elogiado. É melhor que o display de câmeras bem mais caras. Já o visor EVF é quase um brinquedo, claramente tem resolução baixa e só funciona quando o display articulado é virado para uma posição específica.

A câmera tem 18 megapixels no sensor, mas isto é mais um apelo de marketing, devido ao sensor pequeno. Vendo as fotos em 100%, logo se vê que a nitidez, pixel a pixel, é pouca. É melhor considerá-la como uma (boa) câmera de 8 megapixels. Aprofundarei este assunto na última parte do texto.

A bateria é pequena para a câmera. É orçada em 200 fotos, o que se traduz em "acaba em menos de um dia de uso intensivo". Felizmente uma bateria extra é barata, mesmo no Brasil.

A bateria é carregada dentro da câmera, alimentada por fonte USB ou pelo computador, usando um cabo USB com um conector proprietário da Nikon do lado da câmera. O velho mau hábito de não usar micro-USB ou mini-USB. Mas o cabo custa uma mixaria no DealExtreme, e o mesmo cabo serve nas DSLR Nikon.

Problemas

A câmera apresentou, desde o primeiro dia, dois problemas muito chatos:

O pessoal da Internet tem cobrado um update de firmware da Nikon, mas uma mulher que fez um vídeo no YouTube reclamando das mesmas coisas, descobriu que são relacionadas ao cartão de memória.

Eu estava usando um cartão micro-SD classe 6 com adaptador que eu tinha aqui. Troquei por um SanDisk classe 10, de tamanho SD "natural", e ambos os problemas desapareceram!

Acho que o cartão fornecido "de graça" pela loja, um micro-SD de 4GB, também se desentende com a máquina; depois o negócio dá problema, o cliente reclama, e ninguém sabe por quê...

UPDATE: o cartão SD que veio com a D3200 é da mesma marca que o da P520, então deve ser cortesia da Nikon do Brasil. Também é lento: o modo contínuo fica muito aquém das prometidas 4 fotos/s. Já com o Sandisk Classe 10, o ritmo de 4fps é cumprido. Pelo menos a D3200 não trava com o cartão ruim, apenas demora mais. Um hipotético update de firmware da P520 poderia tornar seu comportamento menos "catastrófico" ao usar um cartão lento.

A Nikon do Brasil está tentando ser "bacana" fornecendo estes cartões SD, visto que os próprios manuais dizem expressamente que os cartões têm de ser comprados separadamente, mas pode estar se prejudicando por conta disto.

UPDATE II: relatei os problemas para a Nikon do Brasil e eles me mandaram cartões SD Sandisk em substituição. São cartões classe 4, mais lentos que meus cartões classe 10, porém funcionam e não causaram problemas mesmo filmando em full HD, então servem como "backup". Ou seja, a marca dos cartões também é fator de fazer funcionar ou fazer dar problema.

Tamanho do sensor

Não é por acaso que a Nikon colocou 8MP no menu de resoluções, como primeira opção a 18MP. Parece um salto grande demais, de 18 para 8, não é? Mas seria pura enganação colocar um valor intermediário.

Sim, eu fiz alguns testes, do tipo fotografar tapete e procurar pelos detalhes como fiapos e texturas. As fotos de 18MP e 8MP, devidamente escaladas e balanceadas na cor, parecem ter exatamente o mesmo detalhamento.

Esta página esclarece as razões físicas pelas quais a resolução efetiva de um sensor é limitada pelo tamanho. No caso do sensor 1/2.3" da P520, o limite calculado no site é mesmo em torno de 8MP.

Em condições ideais, sem redução de ruído e lente na abertura máxima, a P520 consegue atingir 10 ou 11MP efetivos. Mas aí aparece o outro problema de sensores pequenos: excesso de ruído em condições de pouca luz.

Em 8MP, é possível deixar a redução de ruído no mínimo, porque o próprio "encolhimento" funciona como um redutor natural do ruído. 8MP é uma resolução um tanto baixa se você pretende fazer uma foto e depois "cropar" a posteriori. Isto tem solução simples, desde que executada na hora de tirar a foto: estique o poderoso zoom e faça a "cropagem" com a ampliação ótica.

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