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Meu protesto continuado contra a extinção do programa 'Espaço Público'

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2012.05.08

Este artigo expressa a opinião do autor na época da sua redação. Não há qualquer garantia de exatidão, ineditismo ou atualidade nos conteúdos. É proibida a cópia na íntegra. A citação de trechos é permitida mediante referência ao autor e este sítio de origem.

Por volta de 2007, instalei uma antena parabólica tipo BUD (*) e, como não sou muito de ver TV aberta 'normal', comecei a assistir, por curiosidade mórbida, aqueles canais de TV pública, como TV Senado, TVE e assemelhados.

Na TV Senado eu já tinha descoberto um programa interessante (para mim) "Quem tem medo de música clássica?", apresentado pelo senador Arthur da Távola. Acho que passava a cada domingo, 10 da manhã. Obviamente era sobre música clássica.

E acabei encontrando mais alguma coisa, na TVE: um excelente programa de debates, chamado "Espaço Público", apresentado por Lúcia Leme.

O formato era o mais simples possível: uma apresentadora/moderadora, alguns convidados, e três temas por dia, um tema por bloco. Não era uma regra fixa, mas tentava-se abordar um tema "noticioso", um tema mais "profundo" e um terceiro mais "leve", recaindo sobre arte ou variedades.

Os convidados variavam de jornalistas da TVE, talvez catados nos corredores da emissora "ad hoc", até políticos importantes. Alguns convidados eram figurinhas bastante repetidas, mas sempre muito inteligentes e interessantes.

Era curioso o equilíbrio que havia entre os seis convidados. Tinha gente de extrema-esquerda e de extrema-direita liberal. As discussões esquentavam bastante de vez em quando. Tinha defensor do governo, e crítico ferrenho. Não sei se este equilíbrio era propositado. Provavelmente era, embora se tentasse passar a impressão que era algo casual e uma feliz coincidência.

O programa só tinha dois pequenos defeitos: passava muito tarde (depois da meia-noite), e tinha mais convidados que por algum motivo estavam no Rio de Janeiro, afinal a TVE estava lá.

Aí veio a suspeitíssima conversão da TVE em TV Brasil. O programa durou mais alguns meses, e acabou sendo simplesmente extinto em agosto de 2008, por "razões de mudança de grade".

Era praticamente o único programa da TV Brasil que prestava, extinto. Por que será?

O site Observatório da Imprensa disse algo sobre este assunto.

Na minha opinião, o programa foi extinto porque não era suficientemente pró-governo. Procurava fazer um debate equilibrado. Não cabia na proposta da TV Brasil. É óbvio que a TV Brasil não foi criada para ser uma BBC patropi.

Há esta expressão inglesa: "Quem tortura uma borboleta na Roda?". Descreve um ato simultaneamente condenável, trabalhoso e irrelevante. O programa Espaço Público passava de madrugada numa TV que tem audiência basicamente zero. Custava deixá-lo em paz? Mas algum Pol Potzinho tupiniquim sentiu comichão na bunda e foi fazer hora extra na Roda.

Por ironia do destino, o senador Arthur da Távola morreu, e com ele também se foi o programa dominical sobre música clássica, em maio de 2008.

RIP. Alguns episódios do "Espaço Público" que encontrei no YouTube:

Análise do aumento da população carcerária dos EUA

Política: mandato é do partido ou do candidato?

Discussão sobre a lei da homofobia

(*) BUD: Big Ugly Dish. O sinal da parabólica de TV aberta parece ser fraco, e precisa de uma parabólica grande, e muito bem apontada.

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