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Resenha de livros: Feedback Control et al.

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2014.02.06

Este artigo expressa a opinião do autor na época da sua redação. Não há qualquer garantia de exatidão, ineditismo ou atualidade nos conteúdos. É proibida a cópia na íntegra. A citação de trechos é permitida mediante referência ao autor e este sítio de origem.

Seguindo uma dica do Osvaldo Santana, um dos livros que comprei no tradicional "Cestão de Natal da Amazon" foi o Feedback Control for Computer Systems, de Phillip Janert.

O livro advoga o uso de uma tecnologia velha conhecida dos engenheiros — o controle por feedback (CF) — na informática "mundana". Um exemplo humilde mas ubíquo de CF no mundo real, que funciona muito bem, é a caixa d'água com seu registro-bóia.

O objetivo do CF é zerar o "erro", seja qual for a métrica deste erro. No caso da caixa d'água, só há um erro: a caixa não estar cheia. Disto emerge uma grande vantagem do CF: funciona mesmo quando pouco se sabe sobre as características físicas do sistema. Qualquer registro-bóia funciona com caixas d'água de qualquer tamanho.

Traduzindo isso para o mundinho da informática, um CF poderia controlar o número de servidores na nuvem em função da fila de requisições, em vez de tentar modelar a priori a relação entre fila e carga. Um modelo estático poderia até funcionar mas qualquer pequena mudança no sistema e o modelo vai para o lixo, enquanto o CF segue adiante.

Curiosamente, é uma abordagem nova para a informática, mas a tecnologia dos controladores PID é velha. As ferramentas matemáticas de análise são as mesmas utilizadas com filtros analógicos. Tanto os filtros digitais como os sistemas de feedback modernos têm fundamentos bem diferentes. Mas o autor não descuida disto e aborda os sistemas "modernos" num capítulo ao final do livro, inclusive mencionando suas vantagens e desvantagens frente aos sistemas "clássicos".

É um livro particularmente indicado para "engenheiros-wannabe", ou seja, o pessoal de informática que se interessa por algo acima e além de fritar código, mas carece de uma formação acadêmica em engenharia. O autor faz um enorme esforço para torná-lo acessível a quem não tem intimidade com Transformada de Laplace. E vem com código Python para brincar! :)

Falando em matemática, outro livro que comprei no mesmo cestão foi o Abel's Proof de Peter Pesic. Eu já tinha me arriscado a escrever sobre o assunto baseando-me inclusive em fragmentos deste livro, mas nada como ter a árvore morta na mão.

O livro do Pesic é mais um daquele gênero literário "matemática é pop" que floresceu na última década (uma das melhores coisas que aconteceram no meu tempo de vida, diga-se de passagem!).

Parafraseando o Toti, ler este livro não vai aumentar seu salário, mas o assunto tem diversos, embora distantes, laços de parentesco com a ciência da computação.

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