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Resenha: Filho do Hamas

2019.03.22

Este artigo expressa a opinião do autor na época da sua redação. Não há qualquer garantia de exatidão, ineditismo ou atualidade nos conteúdos. É proibida a cópia na íntegra. A citação de trechos é permitida mediante referência ao autor e este sítio de origem.

Depois de longo inverno, a fila das resenhas dos livros enviados pelo LVR começa a andar! Este meio que furou a fila, por ser menor e falar de um assunto mais atraente.

O 'filho do Hamas' é Mosab Hassan Yousef, filho de um dos 'chefes' do Hamas, o grupo palestino com atividades que vão da filantropia ao terrorismo. Tendo sido criado no olho do furacão, com a vida e os estudos sempre dificultados pelos israelenses, Mosab naturalmente tinha ódio deles. Sendo visado, acabou preso aos 17 por uma sandice: comprar armas, que nem funcionavam direito. Compra por impulso, sem ter qualquer uso específico em mente.

Na prisão, Mosab sofreu todo tipo de abuso, com destaque para a brutalidade dos soldados de origem russa e para as técnicas de tortura passiva, do tipo deixar o cara por 10 dias algemado numa cadeira desconfortável. Lá, ele recebeu a primeira oferta do Shin Bet para virar um agente duplo. Aceitou na segunda tentativa, apenas para sair da cadeia. E agora seu ímpeto de vingança tinha um alvo nítido: o próprio oficial que seria seu "handler".

Mas o Shin Bet sabe como "virar" um agente. Nos primeiros meses, apenas conversas sobre generalidades, bem espaçadas. Finalmente, a primeira missão: entrar para a faculdade. O Shin Bet não quer fracassados nem párias em seus quadros, pois são X-9 muito óbvios. Com um visto em mãos para transitar por toda Israel, Mosab logo consegue um bom emprego.

Com o tempo, Mosab aprende muita coisa desagradável sobre os grupos palestinos: brigas de poder internas, corrupção generalizada, sabotagem a qualquer tentativa de acordo de paz porque isto implicaria na perda de gordas doações recebidas do mundo inteiro em favor da "causa santa". É um jogo de xadrez e nenhuma peça é inocente. O próprio pai de Mosab, incontinente na honradez, foi sendo escanteado conforme se fortalecia dentro do Hamas a facção mais encrenqueira.

É um livro bem interessante e com cenas dignas de filme de espionagem e de ação. A visão "do chão da floresta" do problema palestino é muito instrutiva. Também é curioso constatar a forma diferente de escrever de um não-ocidental, a começar pelas figuras de linguagem bastante peculiares.