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Resenha: Uma história do mundo, de Andrew Marr

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Este livro me foi presenteado no Natal. Dar e receber livros como presente é complicado porque o interesse das duas pessoas pode ser muito diferente. O livro que eu acho interessantíssimo, a outra pessoa talvez nem se dê ao trabalho de folhear.

E um livro que se proponha a contar a história do mundo inteiro pode falhar nesta missão de inúmeras maneiras. Quando mais não seja, porque já existem milhões de outros livros que pretenderam fazer a mesma coisa, fora as monografias sobre certas épocas ou civilizações. Por que alguém escreveria mais um compêndio sobre um assunto tão batido?

Surpreendentemente, o livro é ótimo, e proporciona uma excelente visão geral de como caminhou a humanidade desde a pré-história. Para quem está querendo ganhar um pouco de cultura geral, e/ou gostaria de dar uma afiada nas aulas de história da escola que com certeza você já esqueceu, fica a dica.

O texto menciona muito conceitos bastante modernos, como mudanças climáticas, sustentabilidade e desempenho econômico, o que joga luzes completamente novas sobre as civilizações antigas, mostrando como elas realmente puderam prosperar ou falhar. Muitas teorias levantadas ao longo do livro assemelham-se a um outro texto que já resenhamos, "A Prosperidade do Vício", que é um livro sobre economia mas que também faz uma boa revisão histórica.

Por exemplo, o autor explica como o expansionismo romano, e o pagamento de butins de guerra aos generais na forma de escravos e terras, acabou com a rentabilidade do pequeno agricultor romano. Isto inchou as cidades com desempregados, empurrando as pessoas para a carreira militar (o que realimentava o problema) e plantando as sementes da inevitável queda. É o tipo de análise que nunca se vê num livro escolar.

A questão de como a Peste Negra desmontou o servilismo na Europa Ocidental, enquanto ele manteve-se forte na Europa Oriental até a revolução comunista, também foi algo novo para mim, e coincidentemente é mencionada em "Uma história do mundo" e também no livro "A Prosperidade do Vício".

É interessante e encorajador constatar que a análise da história ainda pode render tanto, na medida em que as demais ciências evoluem.

Com certeza este livro teria sido escrito de forma completamente diferente na década de 1980; a teoria dos conflitos de classe de Marx teria sido a nota dominante. Uma parte da teoria marxista sobrevive no texto moderno, no que tange à influência da economia sobre a história. (As ditas classes "dominantes" ou "ociosas" só podem surgir na medida em que a produção agropastoril gera excedente, e não é mais necessário que 100% da população esteja ocupada com produção de alimentos.)

Para completar, o texto é muito bem-humorado e cheio de anedotas, em particular as formas assustadoras de assassinato que se praticavam antigamente. Ao contrário do que os reacionários dizem, a civilização atual é excelente, próxima da perfeição, se comparada às civilizações antigas!

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