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Pajelança

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2011.12.12

Este artigo expressa a opinião do autor na época da sua redação. Não há qualquer garantia de exatidão, ineditismo ou atualidade nos conteúdos. É proibida a cópia na íntegra. A citação de trechos é permitida mediante referência ao autor e este sítio de origem.

Acho que toda família tem, no bojo das suas micro-tradições, um conjunto de remédios caseiros que operam curas "milagrosas" para certas doenças.

Isso quando as próprias doenças em questão têm "definição" que não encontra respaldo em nenhum livro de Medicina...

Mas é como disse o outro: eu não acredito em bruxas, mas que elas existem, existem.

Na minha família, um desses pares doença–cura é o tal "sol na cabeça", que eu imagino tratar-se de insolação.

A definição é imprecisa mas a sensação do "sol na cabeça" é bem real: uma dor de cabeça chata, diferente de qualquer outra, e que não passa nunca, nem com remédio. Ela continua por dias a fio, sem variar ao longo do dia.

Como deve ser óbvio, costuma aparecer depois de pegar sol demais, principalmente aquele "mormaço", mais luz que calor (outra definição nada científica).

O remédio para o "sol na cabeça" é bem estranho: colocar uma garrafa de água invertida na cabeça.

Uma garrafa de vidro de água mineral de 500ml é a ideal. Encha-a de água exceto por um pedaço do gargalo, coloque um pano dobrado sobre a boca da garrafa, e vire rapidamente o conjunto, colocando sobre a cabeça.

O senso comum diria que a água vai vazar rapidamente e molhar o doente todo, mas isto não acontece, salvo é claro se a garrafa tombar. Mesmo os cabelos ficam apenas um pouco molhados.

Para melhores resultados, a boca da garrafa deve pressionar exatamente na "emenda" da cabeça, bem no meio, sem tender nem à esquerda nem à direita. No sentido frente/trás, o ponto ideal tem de ser procurado por tentativa e erro.

Quando o ponto ideal é encontrado, pequenas bolhas começam a subir, de forma ritmada, fazendo um ruído que a "vítima" consegue ouvir facilmente, então procurar o ponto ideal da garrafa pode ser feito sem auxílio de outra pessoa, num ambiente silencioso.

Os "velhos" conseguem dizer o "tipo" de "sol na cabeça" que você tem em função da freqüência, tamanho e "jeito" das bolhas. A ausência de bolhas normalmente é associada com um posicionamento sub-ótimo ou ausência de sol-na-cabeça, mas algumas interpretações admitem que isto é "sereno na cabeça".

Dizem ainda os "velhos" que gente que passou meses com dor de cabeça, achando que ia morrer, foi milagrosamente curado com este truque.

É uma pajelança total, mas eu garanto que funciona!

Agora a pergunta: por que isto funciona?

Os "velhos" acreditavam que a água realmente "entrava" na cabeça, mas naturalmente isto não pode acontecer. Uma explicação plausível é que o pano absorve água e diminui a temperatura daquela área da cabeça.

Eu tenho uma teoria mais "fora da casinha": que a emenda do crânio no topo da cabeça é uma espécie de ponto de acupuntura ou algo do gênero, que quando pressionado acaba melhorando a dor. Neste caso a garrafa e a água são apenas uma forma indireta de definir o peso e a pressão ideais sobre aquele ponto.

Até uns tempos atrás, não se achava nenhuma referência na Internet a respeito deste negócio. Agora, procurando de novo, há diversas referências. Aparentemente é uma "pajelança" da medicina tradicional do Centro-Oeste.

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