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Resenha: Tudo que é ruim é bom para você

2015.12.30

Este artigo expressa a opinião do autor na época da sua redação. Não há qualquer garantia de exatidão, ineditismo ou atualidade nos conteúdos. É proibida a cópia na íntegra. A citação de trechos é permitida mediante referência ao autor e este sítio de origem.

As resenhas andaram rareando, e sem demora o LVR mandou uma 'cobrança amigável' por e-mail. Então é hora de pagar ao menos os juros, do contrário não duvido que ele venha lá de CWB para fazer a cobrança pessoalmente :)

Sério agora. O livro "Tudo que é ruim é bom para você", de Steven Johnson (editora Zahar) proporciona uma visão bastante diferente, e bastante otimista, da cultura popular atual.

O que se diz da produção cultural e de entretenimento dos dias de hoje? Que é rasa, de fácil digestão porém de "valor nutritivo" zero; que não acrescenta nada; que embota o cérebro de quem a consome; que polariza as posições políticas; que estimula a violência; que desestimula hábitos intelectuais melhores como ler livros e jogar xadrez. Coisas semelhantes se dizem das redes sociais, dos videogames, da Internet, da Wikipedia...

Steven Johnson defende que as mídias de entretenimento estão na verdade aumentando a capacidade cognitiva da geração atual.

O videogame é o exemplo mais esmiuçado no livro, por ser algo "novo" na história da humanidade. No videogame o jogador é instado a desenvolver reflexos, dosar riscos, explorar mundos cujas regras se aprendem por interação — diferente do xadrez, onde as regras são perfeitamente conhecidas de antemão.

(Não sei se o xadrez é um bom exemplo, eu pessoalmente considero o xadrez um jogo injustamente glorificado, porque acima de um nível básico de destreza, o aprendizado concentra-se em decorar aberturas e jogadas de grandes mestres, então o negócio vira uma decoreba. Jogos como truco ou pôquer são muito mais multidisciplinares.)

O autor vai mais além e demonstra que as séries televisivas atuais, como 24 horas e Família Soprano são muito mais complexas que os "enlatados" de décadas anteriores. O número de personagens e histórias paralelas é enorme, os dilemas morais aparecem o tempo todo. O maniqueísmo tipicamente associado à produção cultural estadunidense é, na verdade, cuidadosamente evitado.

Em termos de seriados com enredos complexos, nós brasileiros já estamos acostumados com as novelas da Globo, muito mais complexas e recheadas de nuances que as novelas mexicanas, por exemplo. Conforme disse há muitos anos o amigo GWM, as novelas prestaram uma colaboração enorme ao Brasil, pois ajudaram a uniformizar o idioma nas diversas regiões. Também difundiram costumes e valores relativamente modernos. Nada na vida é 100% mau e a hegemonia da Globo no país todo teve seu lado positivo, afinal de contas.