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Resenha: Countdown to Zero Day, de Kim Zetter

2020.01.19

Este artigo expressa a opinião do autor na época da sua redação. Não há qualquer garantia de exatidão, ineditismo ou atualidade nos conteúdos. É proibida a cópia na íntegra. A citação de trechos é permitida mediante referência ao autor e este sítio de origem.

O assunto Stuxnet é um pouco velho, nós que militamos na área da tecnologia vimos as descobertas desenrolarem-se ao vivo. E as revelações de Edward Snowden, mais recentes, eclipsaram completamente a primeira "arma digital" de que se teve notícia. Mas sempre é interessante ler a história do início ao fim, escrita de forma novelizada e consistente.

A parte técnica não é o forte do livro, até porque ele tenta atingir um público mais amplo, o que obriga a diluir bastante as passagens mais técnicas, sobre como funciona um vírus, o que é um driver de kernel, etc. Gostaria de ter visto mais informações sobre as centrífugas de urânio.

O ponto forte do texto é contar o drama humano, o enorme esforço e o desgaste que diversos pesquisadores tiveram de empregar para descobrir o que o vírus realmente fazia. Depois, o medo de retaliação: estava claro que o vírus tinha sido escrito por um adversário formidável, que pensou em tudo, exceto na tenacidade dos técnicos da Symantec, Kapersky e outras.

Empresas e pessoas colocaram fundo a mão no bolso para comprar os PLCs da Siemens que eram o alvo final do vírus, sem expectativa de reaver o dinheiro no curto prazo. As pessoas pagam pelo antivirus para evitar e erradicar infecções, não para analisar os efeitos colaterais que só afetam usinas de enriquecimento de urânio no Irã.

No mais, é curioso ver como a história é cíclica. Justo por estes dias (janeiro de 2020) o Irã disse ter voltado a enriquecer urânio, derrubaram um avião civil por engano... esse realejo eu estou ouvindo desde que me lembro por gente.