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Miscelânea de canetas-tinteiro

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Nesta página pretendo comentar sobre diversas canetas-tinteiro que possuo ou já possuí. Elas vêm do Japão, da Europa ou dos EUA. São regiões onde há inúmeros fabricantes grandes e pequenos de canetas-tinteiro, então não é possível capturar a "essência" regional mesmo depois de testar muitas canetas, mesmo aceitando o risco de reducionismo, como me pareceu ser possível nos casos da Índia e da China.

Pilot Varsity

Varsity, conhecida em alguns mercados como V-Pen, é a caneta-tinteiro descartável da japonesa Pilot. Por ora é a única descartável que testei, e também é a mais conhecida. (Outros modelos descartáveis: Thornton's, Zebra Fuente e Platinum Preppy.)

A caneta custa US$ 2 ou 3 cada, dependendo de como é comprada (kit de 3, kit de 7, etc.) e escreve extremamente bem. Muito mais suave que, digamos, uma caneta Jinhao 599 de custo semelhante. A Pilot é afamada pelo controle de qualidade que consegue aplicar a todos os seus produtos, mesmo os mais baratos.

Parte da suavidade da Varsity é devida à tinta, bem mais lubrificada que a típica tinta de caneta-tinteiro. É quase um gel, que comporta-se bem sobre qualquer papel. A caneta funciona perfeitamente bem com tinta "normal", mas não é a mesma suavidade "mágica". (A bem da verdade, não testei preencher a Varsity com uma tinta Pilot, como a Iroshizuku.) O alimentador é diferente de uma tinteiro normal: a tinta é transportada por um "pavio" de feltro, como em canetinhas hidrocor, em vez da tradicional ranhura.

Apesar da caneta ser descartável, ela pode ser recarregada, com alguma dificuldade. Há diversas receitinhas no YouTube, como esta (a mais fácil) e esta (mais inteligente e menos destrutiva). É um exercício interessante, vale a tentativa, mas acho que, com tinta normal, as canetas "normais" escrevem melhor.

Presentear alguém com uma Varsity é um excelente meio de introduzir a pessoa no mundo das canetas-tinteiro.

Kaweco Perkeo

Kaweco é um fabricante alemão de longa data. Perkeo é um modelo de entrada, relativamente barato, de plástico e em cores divertidas. Realmente não parece um objeto fabricado na Alemanha... Também é uma caneta curta e sem clipe de bolso, um eco das antigas canetas "para mulheres".

A pegada triangular, a tampa de 8 lados e o corpo de 16 lados remetem a uma caneta para estudantes: divertida e despretensiosa. Acredito que a Perkeo visa o mesmo público-alvo da Pilot Kakuno (resenhada mais à frente neste artigo). Tem até nome engraçadinho.

É uma caneta barata (US$ 15-20) mas nem de longe tão barata quanto as Jinhao. Aceita cartuchos e conversores internacionais. A minha veio com apenas um cartucho curto, mas instalei um conversor de uma caneta chinesa.

Há versões com pena fina e média; adquiri uma M e a suavidade da pena fez jus à fama dos fabricantes teutônicos. É uma das pouquíssimas canetas que não precisaram de nenhum ajuste na pena (alinhamento ou polimento) para escrever perfeitamente.

Pilot Kakuno

Esta é a caneta-tinteiro despretensiosa da Pilot. Leve, curta, plástica, divertida, pegador triangular e com uma carinha feliz estampada na pena. A pena lembra bastante a da Pilot Varsity, com os lados dobrados. Disponível em ponta fina e média, mas ao estilo oriental: a M é mais fina que, por exemplo, a Kaweco Perkeo M.

Encontra-se no exterior por US$ 13, sem conversor. Infelizmente o conversor custa caro (US$ 6-10) e tem de ser o específico para Pilot. Está certo que o conversor Pilot é mais avançado que o conversor internacional de uma Jinhao, é praticamente uma mini-caneta de pistão, mas ainda é um acessório caro. Comprei um conversor para Wing Sung 659 que é compatível com Pilot.

Para mim, a Kaweco Perkeo funcionou melhor, provavelmente porque sou alérgico a penas finas, e o corpo opaco da Perkeo casou melhor com minha mão. Mas é uma caneta bem conceituada, encontra-se para vender no Brasil no comércio regular (por um preço vil, mas encontra) e não precisou de nenhum ajuste para funcionar bem, honrando a marca Pilot.

Pilot Parallel

Esta é um híbrido de caneta-tinteiro e caneta de caligrafia (dip pen), com uma pena inovadora. Disponível em quatro larguras: 1,5mm, 2,4mm, 3,8mm e 6mm. Encontra-se cada uma por uns US$ 10, e para variar vem sem o caro conversor proprietário Pilot.

Na verdade, a Pilot recomenda que a Parallel seja utilizada com uma tinta específica para ela, vendida em cartuchos. As cores são misturáveis, o que combina com um truque próprio desta caneta: encostar as penas com cores diferentes para escrever em degradê. (Nem todas as tintas para canetas-tinteiro devem ser misturadas; a Noodler's Baystate Blue é uma que gelifica se contaminada.) Mas, no mundo real, a galera usa tinta normal nas Parallel, e mesmo tinta Parallel em outras canetas, sem problemas.

Embora ela tenha a praticidade da caneta-tinteiro com o reservatório interno de tinta, a pena chata ("itálica") torna-a bem diferente de uma caneta-tinteiro normal. Ela tende a empacar no papel quando "empurrada". A pena deve ser sempre "puxada", desenhando cada letra em metades. Fora algumas modificações destrutivas que alguns vídeos do YouTube sugerem fazer (arredondando os cantos vivos da pena, etc.), não é uma caneta que sirva para escrita "normal", nem mesmo a de menor largura (1,5mm).

Noodler's Konrad Flex

Noodler's é uma empresa de um homem só: Nathan Tardif. Nathan é uma figura folclórica do mundo das canetas: estadunidense, patriota, excêntrico e sem papas na língua. Seu principal negócio são tintas, mas também oferece algumas canetas, todas pendendo ao lado excêntrico do espectro: materiais tipicamente encontráveis apenas em canetas caras; penas flexíveis; penas de 3 partes; esferográficas e pinceis movidas a tinta de tinteiro...

As canetas Konrad e Ahab são canetas de pistão, bem construídas pelo preço (US$ 20 a US$ 40, dependendo do material do corpo), e vêm com pena flex. O alimentador de ebonite com canal extra de tinta é suficiente para atender à necessidade da pena. No papel, as canetas Noodler's são barganhas.

Porém, há senões. Em primeiro lugar, a caneta é feita de propósito para entusiastas que gostam de sujar as mãos de tinta. É preciso trabalhar a profundidade de inserção do conjunto pena/alimentador até chegar no ponto em que a tinta flui e a pena flexiona. Também é obrigatório fazer o "heat set" do ebonite (mais detalhes no meu artigo sobre ajuste de canetas), que é basicamente amolecer o alimentador em água fervente para que este se amolde ao corpo da caneta e à pena, proporcionando fluxo perfeito sem vazar.

Alguns detratores dizem que esse lance de "caneta ajustável" é uma desculpa para um produto de baixa qualidade, que só é perdoado porque o fabricante é dos EUA. Não acho que seja o caso, mas quem procura uma caneta perfeita assim que tirada da caixa deveria evitar as Konrad. (Talvez as Neponset com pena tripartida, que custam US$ 75, sejam melhores — um dia compro uma para dizer qualé.)

Existe um frisson no mundo das canetas-tinteiro a respeito de penas flex, mas minha experiência com a pena flex da Noodler's não foi muito boa. Sem pressão, a pena é fina; não gosto de penas finas. Também esperava que fosse mais mole; é preciso fazer uma força considerável para ela flexionar. A qualidade da pena me parece ao par com as penas indianas, e me parece que os componentes são mesmo fabricados lá.

A pena melhorou um pouco a flexibiliade instalando-a um pouco mais para fora da caneta. Ficou até interessante, não vou mais jogar fora a pena, mas permanece a curiosidade de como é uma pena flex realmente suave. Pode-se adquirir o Art Pack: três penas por apenas US$ 6 (grossa, flex sem ponta e normal sem ponta), para quem quiser testar diferentes estilos de pena até encontrar seu ideal.

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